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sexta-feira, setembro 23, 2005

A Catedral e o Bazar

Já falei um pouco sobre o brilhante texto do Eric Raymond "A Catedral e o Bazar" onde o autor, figura emblemática do software open source, discute como funciona o modelo de desenvolvimento de softwares livres.

Minha dica é: se você gosta de software livre procure o texto e leia-o. Você poderá encontrar uma versão em português do Brasil deste texto buscando no Google, atualmente existem traduções aqui e aqui.

A leitura é obrigatória não por sua escrita, ou pela análise do trabalho de Linus Torvalds com o Linux, mas pelas frases brilhantes (muitas vezes de terceiros) que Raymond escolheu para marcar as idéias principais do texto.

Coisas como "Havendo olhos suficientes, todos os erros são óbvios" traduzem de maneira muito simples não só o espírito da sociedade que desenvolve software livre, mas também mostram pontos fundamentais para um projeto de software livre dar certo.

O texto além de ser uma análise do modelo livre vs. o proprietário é um manual de como desenvolver software em comunidade, um Software Livre How To.

Mas livros e textos bem escritos são maravilhosos para enfeitar prateleiras e mesas, como ficam as coisas na prática? Se olhar em volta e ver todos os softwares livres de qualidade que existem hoje não for o bastante para você convencer-se de que o modelo do software livre é muito bom ainda há algo que você deve ver. A experiência prática!

Sergio Lopes publicou em seu blog um artigo sobre como liberar sob a GPL e para o mundo um pequeno script BASH o surpreendeu. O script instala e configura o Internet Explorer 5 e superior para rodar em GNU/Linux com Wine. Sergio descreve em poucas palavras como contribuições do mundo todo melhoraram o script original e como a última revisão do mesmo não teve nenhuma participação de sua autoria, mostrando que mesmo para pequenas coisas o modelo do Bazar funciona muito bem. Note que um número muito grande de downloads do script foi feito nos últimos 4 meses e lembre-se que sem o modelo do bazar todos esses usuários (de vários países do mundo) teriam uma necessidade sem solução.

O caso de Sergio e seu pequeno script desenvolvido por colaboradores de outros países é um exemplo prático muito bom de que o modelo de desenvolvimento livre é mais atento às necessidades dos usuários além de ser um convite para todos aqueles que desejam aprender e melhorar seus conhecimentos sobre uma das ciências mais importantes, a Informática.

Parabéns ao Sergio pela iniciativa e obrigado por mais essa prova prática de que estamos no caminho certo.

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Comments:
Mas será que o modelo Catedral não é viável em alguns outros casos?

O que dizer então dos jogos opensource?

Um abraço.
 
Este texto do Raymond supreendeu minhas expectativas. Rompeu barreiras e foi além do senso comum, muito bom.
 
Podia jurar de pé junto que a Catedral e o Bazer era um livro, mas deixa pra lá, vou ler agora mesmo

Abraços
 
A Catedral e o Bazar é um ensaio, que tornou-se o título e um livro que reunia além do texto de mesmo nome outros ensaios do autor.

Sem dúvida o modelo Catedral tem pontos positivos e pode ser até o mais indicado em alguns casos. Novamente aqui não é uma questão de usar um ou outro modelo, mas talvez de buscar um equilíbrio entre os dois modelos para que todos possam ter o maior proveito possível de suas experiências e diferentes níveis de participação com os projetos. E parece claro para mim que mesmo o modelo Catedral pode ainda trazer muitos benefícios à comunidade de software livre.

A IBM, por exemplo, tem aplicado o modelo Catedral para desenvolver o Linux e para o Linux, e tem funcionado bem. O modelo catedral também foi usado pela Sony, pela Toshiba e pela própria IBM no desenvolvimento do Cell, e parece que o GNU/Linux será o sistema operacional que primeiro irá chegar para esta plataforma (quando ela finalmente surgir no mercado) porque essas empresas usaram o modelo Catedral para construir algo com o software livre em mente. Por fim, como o Playstation 3 será uma máquina Cell com sistema Linux pode ser que seus jogos abram um campo enorme para desenvolvimento de jogos que se não forem Open Source ao menos estarão mais próximos do Linux que os jogos de Windows feitos hoje. E então poderíamos ter jogos proprietários rodando em Linux, que não é o sonho dourado da comunidade, mas permitiria uma participação maior da plataforma livre no mercado doméstico. Essa associação dos modelos Catedral e Bazar em setores que o modelo Bazar por si só não funciona muito bem pode ser afinal uma alternativa melhor que o próprio modelo Catedral.

Essa é uma boa discussão que pode render muitas boas idéias.
 
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