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sábado, agosto 20, 2005

Descobrindo o Plasma

Agora que imagens do novo desktop da Microsoft, chamado de Aeroglass, começam a aparecer na imprensa e na internet o público e a mídia especialzada descobriram que não há nada de fundalmentalmente novo por vir, ao menos na parte gráfica, no Windows Vista. John C. Dvorak, colunista de renome internacional com quem tenho minhas ressalvas, afirmou na última Info (Agosto de 2005): "Mas cada vez que leio sobre o Windows Vista fico sabendo que algum dos recursos prometidos foi cancelado. Parece até que não sobrou ninguém lá capaz de fazer coisas avançadas."

Parece que eu ganhei do Sr. Dvorak desta vez, porque em Março deste ano eu já sabia que seria assim. De fato isto é procedimento em uso dentro da Microsoft. Quando estiver preparando um novo lançamento, anuncie que ele terá muitos, mas muitos, recursos novos. Depois disto cancele dois deles a cada duas semanas e um mês antes do lançamento cancele o resto. Mude a interface gráfica, os nomes de algumas funções e o número de versão, e lance o mesmo produto novamente. Lembra-me a tática publicitária nazista: Minta, minta que alguma coisa ficará.

Então já que o próximo Windows trará muito pouca coisa de novo, comecei a pensar a quanto tempo os computadores são como são. E a quanto tempo nada muda de verdade. Hoje temos mais memória, mais HDD, portas USB, mas os sistemas operacionais ainda são muito semelhantes com o que havia antes. De fato pouca coisa mudou, principalmente nas interfaces gráficas, que hoje tem mais cores, mais resolução, e só. As pastas, o desktop, as bandejas de sistema, tudo está muito parecido com o que sempre foi desde que a Apple introduziu o Mac. Claro que muitas funcionalidades foram introduzidas, mas os conceitos globais por trás dos Desktops modernos ainda são os mesmos, e no geral o mercado copiou muitas coisas que a Apple introduziu em seus sistemas operacionais.

Então me deparei com a seguinte frase:

"Desktop computing has changed radically in the last 20 years, yet our desktops are essentially the same as they were in 1984. It's time the desktop caught up with us."

que em uma tradução livre minha seria algo como:

"A computação desktop (doméstica) mudou radicalmente nos últimos 20 anos, mas nossos desktops (dos sistemas operacionais) são essencialmente os mesmos que eram em 1984. É hora do desktop nos acompanhar."

Fascinado por essa frase, pois sempre pensei em maneiras diferentes de fazer as coisas funcionarem em uma interface gráfica mas nunca tive uma grande idéia fui ver o que era isso... e isso é o Plasma.

O projeto Plasma é um esforço de alguns desenvolvedores do KDE de modificar os conceitos de uso dos desktops (no sentido das áreas de trabalho dos sistemas operacionais) no sentido de torná-los mais elegantes, inteligentes e produtivos.

Fala-se em coisas como sensibilidade ao contexto, modularidade, criação de uma arquitetura de add-ons e algumas outras coisas que depois de citadas parecem óbvias ;-)

A sensibilidade ao contexto seria a capacidade do seu Ambiente de Trabalho de mudar sua forma, aparência e funcionamento de acordo com os programas que você abre, e as coisas que você faz. Seria como se você tivesse um painel aberto na esquerda da tela que mostrasse lançadores para programas de manipulação de arquivos quando inserisse um CD ou DVD de arquivos no computador. E que trouxesse lançadores de programas gráficos quando você alterasse o foco para uma aplicação de imagens. Mas isso seria uma das funções básicas. As cores, temas, e disposição dos paineis podem modificar-se dinâmicamente quando você muda o foco para outro aplicativo, para maximizar a visualização e permitir maior produtividade. O ambiente de trabalho seria então reflexo e adaptação das coisas que você faz no computador, mas em uma profundidade ainda não experimentada pelos usuários de computadores de hoje.

A modularidade permitira que pequenos aplicativos, em Java, Javascript e outras linguagens dinâmicas fizessem pequenas funções, como lembretes, agenda, sincronismo com dispositivos móveis, tudo enfim. E os aplicativos podem ser agrupados e separados da maneira que o usuário achar conveniente, e pode ser dispostos em qualquer lugar da tela, desde uma bandeja ou painel convencional até uma disposição totalmente livre e não-padronizada. A modularidade permitiria também agrupar pequenos scripts para executarem uma função complexa, do mesmo modo que fazemos com scripts BASH em shell. O conceito original do UNIX de pequenas ferramentas agrupadas para executar grandes tarefas estaria então extendido à interface gráfica, finalmente.

Tudo isso deixaria os programadores mais livres para implementar novas tarefas como permitir que você tenha mensagens instantâneas dentro de outro programa, ou mesmo sobre seu plano de fundo se quiser. Algo citado como exemplo das aplicações possíveis é o SuperKaramba que permite que usuários do KDE tenham diversos tipos de informação (desde a carga da CPU até e-mails no servidor e mais!) em uma mesma janela com um sem número de temas aplicáveis para customizar a interface. Seria algo muito semelhante à esse conceito, mas expandido para toda a interface do sistema operacional. Seria possível, por exemplo, abrir um shell BASH dentro de qualquer aplicação onde você já esteja trabalhando. Claro que muitas outras coisas ficam possíveis, basta que você tenha os add-ons corretos.

Esse conceito mudaria totalmente a maneira pela qual vemos e interagimos com as interfaces gráficas dos computadores e abriria campo para modificar de maneiras ilimitadas o comportamento dos nossos desktops.

O projeto Plasma já tem bibliotecas portadas para a Qt4 e está em fase de limpeza e organização de código, os próximos passos incluem criar o desktop em si, estruturar as lingugens de programação de scripts e desenvolver a documentação adequada, mas algum material para desenvolvedores já pode ser lido. O lançamento da primeira versão deve coincidir com o do KDE 4 que é esperado para algum momento ainda em 2005 ou começo de 2006. Se essa expectativa de lançamento se confirmar teremos uma interface revolucionária (ao menos conceitualmente revolucionária) em software livre muito antes que qualquer desenvolvedor proprietário. Isso provaria que o modelo de desenvolvimento livre permite uma maior agilidade e criatividade na implementação de novas idéias, a despeito de qualquer outro argumento que possa ser dado.

Parece então que está atrás da próxima esquina uma revolução no conceito de ambiente de trabalho computacional, e que ela será proporcionada por software livre. Vou dar uma procurada sobre isso para ver o que anda sendo feito no Gnome. Mas de qualquer forma fica minha pergunta: Alguém por aí acha que o Aeroglass será mesmo revolucionário como a Microsoft apregoou que seria?

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