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segunda-feira, março 21, 2005

IE 7

Alguns websites têm falado bastante do Microsoft Internet Explorer 7 por esses dias. Alguns deles até fizeram reviews de suas características e de novas facilidades que ele "trará quando chegar". Não vou citar endereços porque você sinceramente não deve ler essas coisas já que isso é apenas óleo de cobra (snake oil, expressão popular da língua inglesa para embuste).

A razão pela qual ler sobre novas características de um suposto IE 7 é dispensável é que isso trata-se apenas de intenções. Promessas tais como a de políticos durante a campanha para eleições, já que uma versão 7 deste navegador está ao menos a 6 meses de ser lançada.

Era 1994, muito antes do lançamento do Windows 95, e muitos, assim como eu, usavam o Windows 3.1x quando me deparei com uma reportagem em uma revista de grande circulação sobre informática (a finada Exame Informática) que falava de uma versão nova do Microsoft Windows que traria revolucionários recursos. Aquilo me interessou muito, já que o Windows 3.11 for Workgroups que eu usava era um péssimo sistema operacional. Um lixo que travava a cada 2 horas, ou sempre que a sala de bate-papo ficava interessante, me obrigando a ficar longos minutos ouvindo o sinal de ocupado de meu provedor de internet discada.

A reportagem falava a respeito da próxima versão do Windows, ainda com o codinome Cairo, que viria a ser o Windows 95 que a Microsoft, sempre cumpridora de prazos, acabou lançando apenas em 1996. A reportagem citava fontes da Microsoft que teriam deixado vazar à imprensa que o Cairo taria um sistema de arquivos revolucionário, que permitiria pesquisas mais rápidas, arquivos maiores e traria a simplicidade da organização de sua mesa para o PC. Era uma maravilha muito esperada por todos, já que esse sistema de arquivos seria journaled (sistema seguro que é virtualmente imune a falhas por desligamento brutal) e faria com que você jamais perdesse um arquivo outra vez. As pesquisas eram um show a parte. Segundo as fontes da MS pesquisas não só incluiriam nomes de arquivo como também seus conteúdos, sendo possível alcançar qualquer coisa armazenada em seu PC com um clique de mouse.

A reportagem sobre o Cairo citava sua brilhante multitarefa preemptiva que traria o desempenho impressionante de um sistema realmente multitarefa, tornando seu trabalho mais rápido e mais seguro. O desempenho e segurança do Cario seriam comparáveis ao do Windows NT para servidores e transformariam seu PC em uma máquina tão rápida que tiraria seu fôlego.

Para complementar tudo isso, o Cairo teria uma interface gráfica revolucionária, baseada em matemática complexa e bibliotecas 3d de última geração. Seu desktop poderia exibir imagens vetoriais e 3d de maneira natural e essa concepção revolucionaria a computação para sempre.

Passou-se um ano e meio dessa reportagem e a Microsoft lançou o Cairo, o infame Windows 95. A realidade foi dura para os usuários de computador. Seu sistema de arquivos era o VFAT, uma versão do antigo FAT de 8 bits modificada para suportar, através de um cruzamento de referências diabólico, nomes longos. A bagunça era tanta que usar um programa para análise de discos incorreto poderia destruir todos os seus dados. Isso ocorria porque o VFAT era só meio imcompatível com o FAT anteriror. Parecendo um FAT puro para programas antigos e suas "novas funções" sendo consideradas erros de alocação, o sistema não só não cumpria nenhuma das promessas como era mais lento e sucetivel a falhas que o anterior. A MS afirmou que não foi possível terminar o novo sistema de arquivos à tempo para o lançamento do sistema (que já havia sido adiado 3 vezes).

A multi-tarefa preemptiva, prometida e invocada várias vezes por ser a personificação do desempenho de 32-bit também não veio. O sistema era apenas meio 32-bit já que as bibliotecas de 16-bit continuavam a rodar no kernel do sistema e quando usadas dominavam a máquina. Por meses até que programas de 32-bit estivessem disponíveis usar o Windows 95 era como usar o Windows 3.1x, com os mesmos travamentos e resets de sempre. A desculpa para isso era a compatibilidade e acabava sendo mais produtivo usar o Win 3.x com as bibliotecas Win32s 1.2a rodando os primeiros programas de 32-bit do que migrar, configurar tudo e descobrir que você ainda não tinha a multi-tarefa preemptiva.

O desktop também não era tudo aquilo. Não existia a exibição de vetores e gráficos 3d de maneira natural, mas sim uma API chamada DirectX que precisava ser chamada por aplicações escritas e compiladas para ela. Ela não era (e não é até hoje!) integrada ao desktop e só poderia ser executada em uma janela com adaptadores gráficos tão potentes que não estavam disponíveis ao mercado SOHO até a chegada do Windows 98 quase 3 anos depois. No fim das contas o DirectX só poderia rodar em tela plena, com desempenho lastimável e se você abrisse mão do resto do desktop, o que a rigor mantém seu sistema mono-tarefa. Com isso o seu desktop era só meio tridimensional ou meio vetorial e meio bitmap (e é bitmap até hoje!!!).

O Windows 95, com tudo isso, poderia ser considerado só meio sistema operacional e meio um emaranhado de bugs e promessas não cumpridas. Em 1996 a IBM remodelou seu OS/2 Warp levando-o à versão 4. Esse sistema já era, desde a versão 3 de 1993, multi-tarefa preemptiva real, 32-bit real e usava um sistema de memória protegida que a Microsoft só consegui igualar em desempenho e estabilidade com o Windows XP SP2 lançado em 2004 (onze anos atrás da concorrência é até razoável não acham?). A versão 4 do OS/2 Warp, aliás, trouxe (eu repito, em 1996) sistemas de reconhecimento de voz e integração de objetos de desktop que ainda são ficção científica para quem só usou Windows até hoje. O chamado SOM (System Object Modelling) era um mecanismo que fazia a vistoria de integridade do sistema e quando você renomeava um arquivo todos os atalhos para ele eram renomeados automaticamente. O sistema de arquivos era o finado HPFS que era muito semelhante ao NTFS usado hoje no Windows XP, com journalling e desempenho premium. Muitos dos recursos que não existem no Windows até hoje já estavam presentes em competidores daquela época (DR-DOS, lembra?) mas todo mundo esperava pela próxmia versão do Windows e suas excitantes novidades.

Estamos em 2005 e lá vão-se quase 11 anos desde que o Cairo apareceu. E a MS promete o quê para o Longhorn, seu novo sistema operacional a ser lançado apenas em 2006? Um sistema de arquivos que facilita as buscas, por que não? Quem sabe uma multi-tarefa de verdade, claro que sim e com melhor desempenho lembre-se disso! E mais, uma nova interface gráfica, com tecnologia 3d e gráficos vetoriais implementados no desktop que chama-se (essa é a melhor coisa hahaha) Cairo!!! Coincidentemente, Cairo é o nome de um projeto de open source que visa criar um desktop vetorial para o GNU/Linux. Vai saber?! O fato é que, uma década depois, a MS faz as mesmas promessas e continua vendendo um sistema que não existe.

E novamente existe um sistema competidor do Windows ganhando nome e fama e que possui quase todas as características que a Microsoft promete. O gerenciamento de memória e a multi-tarefa do kernel Linux são impressionantemente melhores que as de qualquer outro sistema. O sistema de arquivos ReiserFS é não só mortalmente rápido, como extremamente seguro e virtualmente à prova de falhas. E a interface vetorial Cairo já funciona no GNU/Linux, tornando real uma promessa à muito esperada. E os usuários continuam esperando ansiosamente, com uma grande ajuda da imprensa, pelo próximo Windows que ainda não existe mas já tem tantos recursos que deixa qualquer outro sistema no chinelo.

E aparece Willian Gates III (vulgo Bill Chorão) presidente, dono e deus da Microsoft, em uma feira de segurança dizendo que a versão 7 do Internet Explorer, a principio prevista para 2006 apenas, trará mais recursos de segurança, navegação por abas copiada na cara larga do Mozilla que copiou na cara dura do Opera, e melhor desempenho e todo aquele papo besta. Novamente a MS vendendo um produto que ela não tem, com características magníficas. E me deparo com uma página na internet que faz uma análise do próximo navegador da Microsoft quando ele sequer existe!!!

Ou isso trata-se de uma piada (de mau gosto) ou é uma afronta à minha inteligência. Quando a MS fala de um produto que ela não tem é como um blefe de poker, ela tenta fazer você pensar algo que ela quer que você pense e que pode não ser verdade, isso chama-se engodo. Quando um site de tecnologia analisa um programa que não existe ele faz publicidade (em geral paga) e isso chama-se falcatrua. A MS aplica, novamente, o mesmo golpe, estagnando o mercado pela paralização da evolução fazendo a manutenção de um monopólio baseado em mentiras, processos judiciais, quebras de padrões estabelecidos no mercado, promessas vazias e pouco empenho técnico. Ao ver as maravilhas que a MS promete para o próximo navegador o usuário sente-se desestimulado a procurar outra solução, já que a próxima e magnífica versão sairá em breve.

E assim a nave vai.

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Comments:
"A MS aplica, novamente, o mesmo golpe, estagnando o mercado pela paralização da evolução fazendo a manutenção de um monopólio baseado em mentiras, processos judiciais, quebras de padrões estabelecidos no mercado, promessas vazias e pouco empenho técnico."

Você esqueceu "registro de patentes óbvias" em países que aceitam tal aberração. Não seria o mesmo que "processos judiciais", mesmo que um geralmente acabe resultando em outro.
 
Vc está certo, ainda existe as patentes de software....
 
Falou tudo cara, mandou muito bem, vou recomendar aos meus amigos!
 
mozilla sofre com a MS nao agora lembra-se do primeiro netscape?ganhou mercado era um browser inovador o que a MS fez??lancou um IE identico(para nao dizer copia!) ao netscape porem como fazem com interface? modificam...enganam e o pior levam os creditos!!que para mim somos nos analfabetos usuario de computadores q aceitam!
 
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