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segunda-feira, novembro 13, 2006

Estratégia é tudo!!!

Continuamos observando as repercussões do acordo entre a Novell e a Microsoft. Muitos colunistas dão opiniões e pareceres sobre o assunto. Até o Dvorak já deu seus centavos para a história, e não foram nada bons, mas já tocarei nisso. Nesse meio tempo ninguém (ninguém mesmo, pois muita coisa sobre o acordo é confidencial) sabe muito bem o que vai acontecer no futuro ou aonde isso vai levar.

Estou refletindo sobre isso mas já dei minha primeira opinião. Mas acho que muita água ainda vai passar por essa ponte e muitos de nós ainda vamos reconsiderar o que escrevemos antes, seja lá o que tenhamos escrito. Quem estiver achando que isso será maravilhoso para o Linux provavelmente está errado, assim como quem estiver achando catastrófico. Isso porque os extremos tentem a ser enganosos em suas maquinações. Por acaso eu recebi de um amigo por e-mail um texto interessante, que reproduzo abaixo.

Um senhor idoso vivia sozinho em sua casa. Ele queria virar a terra de seu jardim para plantar flores, mas era um trabalho muito pesado. Seu único filho, que sempre o ajudava nesta tarefa, estava na prisão. O homem então escreveu a seguinte carta ao filho:

"Querido Filho...Estou triste pois não vou poder plantar meu jardim este ano. Detesto não poder fazê-lo porque sua mãe sempre adorava flores e está na época do plantio. Mas eu estou velho demais para cavar a terra. Se você estivesse aqui, eu não teria esse problema, mas sei que você não pode me ajudar, pois está na prisão. Com amor, Seu pai."

Pouco depois o pai recebeu o seguinte telegrama:

"PELO AMOR DE DEUS, pai, não escave o jardim! Foi lá que eu escondi os corpos!!!"

Como as correspondências eram monitoradas na prisão. Às quatro da manhã do dia seguinte, uma turma de Agentes da polícia apareceram e cavaram o jardim inteiro, sem encontrar nenhum corpo. Confuso, o velho escreveu uma outra carta para o filho contando o que acontecera. Esta foi a resposta:

"Pode plantar seu jardim agora, pai. Isso é o máximo que eu posso fazer no momento."

Moral da estória: Nada como uma boa estratégia para conseguir o que seria impossível. Ter problemas na vida é inevitável, ser derrotado por eles é opcional.


Após ler isso e perceber que, como metáfora, ela pode aplicar-se à esse caso (Novell e Microsoft unidas para promover a integração de Linux e Windows e toda a situação das patentes) especialmente se considerarmos a viagem de Dvorak ao mundo da fantasia eu decidi escrever esse post.

Dvorak novamente não sabe sobre o que está falando. Está explicado no BR-Linux de forma bem simples e não vou perder tempo com isso. O que ele sugere que a Microsoft deseja já é feito pela nVidia, simples assim. Mas usando o texto acima como metáfora para essa situação, quem estaria manipulando quem para “cavar seu quintal”?

Ora, se a Microsoft nada tem de boba e Novell também não galgou seu lugar ao sol dando nada de graça para ninguém. A Novell já teve seu próprio SO, o Netware, e nunca fez nenhuma questão de liberar software em licenças livres, da mesma forma que a Microsoft sempre fez. Quando a Novell colocou pés no mundo do Linux, comprando a Suse, já deveríamos saber que ela o fez por dinheiro. E já deveríamos estar acostumados com isso.

Foi-se o tempo em que Linux era uma coisa desenvolvida em garagens, por cabeludos alimentados por pizzas e ideais de um mundo melhor, se é que houve esse tempo (pessoalmente até acho que houve). Desenvolver Linux, e software livre de maneira geral, hoje é um negócio e negócios são feitos por pessoas de gravatas ou taillers, depende do gênero. Todos os profissionais respeitados pela comunidade por seu trabalho no SL são empregados de alguma empresa ou instituição e recebem salários para fazerem sua parte. Não que eles não tenham uma ideologia ou paixão pelo que fazem, eles têm. Mas é inegável que sem os dólares das grandes empresas nossos sistemas e softwares livres não seriam tão bons quanto o são.

Escolha um grande projeto ou software e você verá que existe uma grande corporação por trás dele. O Sourceforge é importante, dele saem pequenos projetos que executam coisas importantes. Mas você consegue citar um único software livre e importante que você use que não tenha uma empresa sólida e de renome entre seus colaboradores?

E mesmo essas empresas que estão contribuindo para o SL ainda mantém partes importantes de seus lucros apoiadas em software proprietário, igual à Microsoft. De onde surge então esse receio sobre a postura e as intenções da Microsoft? Porque eu tenho medo ao ver isso acontecendo? Vamos ver.

Não é por achar que a Novell é boba e facilmente enganável. Não! Eles são espertos, uma das grandes empresas do ramo. Ninguém fica rico se não for esperto e sem ter bons advogados para ler cada contrato. Um idiota e seu dinheiro separam-se rapidamente, diz um ditado, e a Novell tem dinheiro.

Não é porque a Novell pode virar a próxima SCO. A SCO não tinha nada na mão a não ser um punhado (pequeno, mas importante) de propriedades intelectuais (patentes). Ela era dona dos direitos do código fonte do UNIX (ou algo assim) que ela havia comprado... da Novell!!! Só que aqui fica complicado, presta atenção. A Novell vendeu os direitos sobre o código fonte do UNIX (que pouca gente usa ainda hoje) para a SCO. A SCO teve em sua linha de produtos um sistema Linux (acho até que ainda tem). Depois a SCO acusou a IBM de colocar código do AIX (um tipo de UNIX) no Linux (que a própria SCO vendia) e que isso era ilegal. Um processo começou e todo mundo disse que quem usava Linux corria perigo. A Novell então disse que havia enganado a SCO no negócio e que esta não tinha tantos direitos quando alegava ter. A IBM mostrou suas contribuições para o kernel Linux para provar que não tinha nada de AIX nelas. A justiça perdeu tempo analisando tudo. Descobriu-se então que a Microsoft tinha dado dinheiro à SCO. Porque? Para comprar direitos sobre o código do UNIX, ora! Mas porque, se a Microsoft já até fez um sistema UNIX, chamado XENIX e vendeu seus direitos à SCO no final da década de 80? Não sei! Só sei que ninguém achou essa história certa e o processo acabou em nada. A SCO está mal hoje e ninguém quer mais saber dela. E ela tinha um nome tão bonito: Santa Cruz Operations...

Voltando ao assunto, a Novell não é a nova SCO, um fantoche nas mãos da MS com o intuito de destruir o Linux porque todo mundo já viu que isso não dará certo. É software livre, gente. Se um juiz determinar que uma parte do Linux é propriedade de alguém (Microsoft ou seja lá quem for) a gente deleta isso e em pouco tempo temos código novo trabalhando no lugar. A Red Hat inclusive tem um compromisso público com seus clientes garantindo que se alguém provar ser dono de alguma parte do sistema daquela empresa ela reescreve aquela parte. Então a Microsoft pode fechar acordos de patentes com quem quiser, isso pode atrasar o Linux mas não pará-lo. O Software livre foi desenhado para resistir à isso, pois quem o criou cansou de ver a MS destruir seus “parceiros” comerciais ano à ano na indústria de TI.

A Novell não se colocaria na posição de ser uma nova SCO, porque sabe de tudo isso. Eles tem dinheiro, lembra? Por isso não são idiotas e tem advogados. Não querem estar onde a SCO está hoje, por isso não agirão como ela no passado.

Além disso mesmo aliada à Novell a Microsoft não conseguiria atacar o Linux lutando contra Red Hat, Sun, Oracle, IBM, HP e cia. Se as patentes forem para a mesa a IBM é a maior detentora de patentes do mundo. Se for uma questão de disputar mercado a Novell nunca vai fazer Windows, vai continuar fazendo Linux e mesmo que seja uma espécie de MS-Linux ainda assim existe a GPL. E mais advogados.

E a Microsoft deixou as portas abertas para que qualquer outra distro junte-se à eles. Mas quem vai? A Red Hat não vai, e por conseqüência a Oracle também não. Aliás a Oracle não iria nunca, na lista de to-dos da Oracle “tomar o lugar da MS” é a prioridade número 1. A IBM é parceira da Red Hat. A Sun e a MS brigam desde sempre e a dupla Java/C# só piorou a relação entre elas. Quem sobra? Debian, Ubuntu, Mandriva, Slackware alguma dessas parece um canditato forte à fechar um acordo com a MS no estilo proposto? Não para mim, mas posso estar enganado.

Ainda que uma dessas empresas ou comunidades fechasse um acordo com a MS do outro lado ainda estariam Sun, Oracle, IBM, Red Hat então quão perigoso para o Linux seria algo assim? Muito pouco. O carisma da Microsoft, ou total falta dele, é o fiel da balança nesse caso.

A IBM jamais fecharia um acordo com a Microsoft sem ter total certeza de que ganharia muito com isso sem ser apunhalada no futuro. Ela ainda tem na carne os cortes do OS/2. Na verdade qualquer pessoa que já tenha conversado com Steve Jobs sabe que para a Microsoft, assim como num filme da máfia, você nunca deve abrir a porta sem ter a arma carregada nas mãos.

Steve Jobs! Ele, assim como nós, acreditava em um, e apenas um, inimigo. Jobs ao fundar a Apple era obcecado por destruir a IBM. A famosa propaganda de 1984 do Macintosh era para a IBM. E obcecado por seu inimigo ele não percebeu que quem o traía estava em seu quintal. Os caras da Microsoft estavam lá para roubar sua interface gráfica (roubada antes da Xerox) e levá-la para o PC. Depois de Jobs a Apple tornou-se parceira da IBM e por anos vendeu os melhores computadores pessoais do mercado porque, entre outras coisas, usava os processadores da IBM.

Percebe que no meio disso tudo sempre aparece o mesmo nome? IBM. A IBM criou o PC, sobrepujou a Apple, deu vida e glória à Intel e à Microsoft. Depois participou dos anos dourados da Apple e seus Macintoshes. Então a IBM concorreu com a Digital, a Sun, a Oracle e fez parcerias com todas elas em algum nível. A IBM associou-se com a Red Hat e abriu mercado para que seu Linux se tornasse uma alternativa forte. A IBM é uma das empresas que mais contribuiu com código para o amadurecimento do kernel Linux e é um de seus grandes promotores no mundo. É a IBM que se associou à Sony e a Toshiba (como fizera antes com a Apple e a Motorola) para criar uma nova família de processadores. É a IBM que vai fornecer processadores para todos os consoles da nova geração, Xbox360 (da Microsoft), Wii (da Nintendo) e PS3 (da Sony). Sempre houve uma presença da IBM em todos os lances críticos da história dessa indústria. E a IBM está agora ao lado do Linux, não do Windows.

Tudo bem que a Microsoft já ganhou da IBM uma vez (novamente eu falando do OS/2). Mas tem um ditado nos EUA: “Fool me once, shame on you. Fool me twice, shame on me”. Que é mais ou menos o seguinte: “Me engana uma vez, vergonha pra você. Me engana outra vez, vergonha pra mim”. E não tenho dúvidas que se a MS tentar prejudicar o Linux de alguma forma a IBM será uma das primeiras a contra-atacar de forma dura. Porque o Linux para a IBM não significa ideologia, ou vingança. Significa dinheiro. E tentar mexer no dinheiro de uma empresa como a IBM nunca é bom.

Por tudo isso, acho que a Microsoft, nessa nova jornada de interação com o Linux, com essa nova abordagem pode até ter más intenções (sob nossa ótica). Mas se realmente for esse o caso, não acho que vá durar muito. E se durar, não acho que ela vá conseguir sair ilesa de uma batalha que seria tão feroz contra adversários tão musculosos e determinados. Como a Microsoft também não é boba ela deve ter boas cartas para colocar na mesa. Pelo seu próprio bem.

Então, voltando à metáfora, quem acabará cavando o terreno de quem? Ainda não dá para dizer. A IBM já fez muita gente cavar para ela e já cavou um pouco pelos outros também. Mas seu histórico é respeitável. Eu ficaria mais preocupado tendo a IBM do outro lado do que tendo a Microsoft. Até sinto um certo alívio do Windows ter ganho do OS/2. Porque a Microsoft nunca mostrou planejamento estratégico do nível do da IBM desde do OS/2. E nesse ramo, estratégia é tudo!

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Comments:
cara, texto brilhante, como sempre.. hehe
não tenho mais o que comentar, disse tudo ! hehe
 
Preciso dizer que é mais um daqueles ótimos textos que você escreve? Não, né?

Tem um livro na biblioteca da faculdade chamado "Big Blues". É antigo já, mas fala do auge e da derrocada da IBM. Pra mim, a IBM nunca caiu, só ficou um pouquinho ofuscada, mas ainda é uma gigante.

No final de janeiro do ano que vem saberemos o que vai ser da Microsoft.
 
Como sempre, brilhante texto e ótimas idéias. Sem sombra de dúvidas, o melhor post que já li sobre isso.
 
Estou impressionado com o nível dos comentarios aqui neste blog.

Muito obrigado pelas "aulas"



Fabricio
 
fala cara
tava procurando no google
ess frase
“Me engana uma vez, vergonha pra você. Me engana outra vez, vergonha pra mim”.
dai caiu aki
aproveitei para dar uma olhada
gostei muito
metaforas
linux x win
muito bom mesmo
um abrado
DaviD
 
IBM 90 ANOS - UMA EMPRESA SORTUDA
Boletim AEXI-B Ano 11 numero 71
(o texto é um pouco longo, mas vale a pena ler)
Em junho, a IBM completa 90 anos de atuação no Brasil. Na primeira metade do século passado, sua história foi de tabuladoras, relógio de ponto e até máquina de moer café, tudo começando em 1917 com o censo demográfico para o Governo brasileiro. Nas primeiras 3 décadas da segunda metade do século, a IBM se consolida mundialmente e aqui no Brasil com a sua cultura de serviços de tecnologia então jamais vistos.
Nesta época, mais de 4.000 brasileiros achavam que tinham chegado ao paraíso. Eram os “IBMistas”, funcionários da IBM Brasil, pois a empresa tinha um conceito de senão a melhor, uma das melhores empregadoras do País, uma companhia modelo mundial em tudo e principalmente no entendimento entre empresa e funcionários.
Oferecia emprego vitalício, salários elevados, planos de assistência social inigualáveis e mais um sem número de benefícios e serviços, tudo isto dentro de sua Política de Recursos Humanos diferenciada do Mercado para manter profissionais altamente qualificados em seus quadros.
Imaginem que chegou a criar um plano de aposentadoria para seus funcionários no qual só ela contribuía, e ao chegar à idade ou tempo de trabalho limite, o funcionário se aposentaria com todos os direitos desse plano, inclusive seguro saúde. Também é verdade que os recursos que usou no Brasil para isso, foram recursos incentivados e/ou beneficiados pelas regras e leis existentes no país.
Mas a IBM era “perfeita” e se assim o fez estava correto. Nenhum funcionário teria dúvidas de que a IBM estava cuidando da aposentaria dele e por isso não precisava de outros planos. Ela tinha catequizado sua legião a independer do mundo externo, pois ela provia tudo que o funcionário necessitava. Eles acreditavam piamente na Empresa.
Durante mais de uma década seguidamente a IBM teve o maior lucro do mundo, e durante todos estes anos sempre esteve entre os primeiros graças à visão de sua administração e à dedicação excepcional de seus funcionários. Não podia ser de outra forma. A administração da IBM estava baseada em três CREDOS. “Respeito pelo Indivíduo” era o primeiro e principal deles, cuidando sempre da dignidade e dos direitos de cada pessoa na Organização e não apenas quando for conveniente ou oportuno fazê-lo. Quem não se dedicaria cegamente a uma empresa com tal postura? Com tal Credo?
A vida era uma maravilha. O IBMista tinha status, era muito bem recebido em todas empresas e no Governo. A proteção financeira e social da IBM funcionava como uma verdadeira blindagem contra os dissabores que costumam afligir os empregados comuns, e eles não tinham com o que se preocupar, a não ser com o trabalho e seus objetivos.
Mas o tempo passou. Os processos operacionais se modernizaram, e... a IBM já não precisava de tantos. A IBM iniciou a quebra dos seus CREDOS. Tinha que demitir os “indivíduos” e então ofereceu um Programa de Demissão Voluntário – PDV chamado internamente de SPECIAL OPPORTUNITY PROGRAM – SOP, que foi logo apelidado de “SOPÃO”, uma indenização financeira pela quebra da promessa de pleno emprego e a informação que não tinham mais o direito ao Plano de Aposentadoria, indenização esta muito aquém daquela que pudesse “comprar” um Plano de Aposentadoria e Assistencial aos moldes daquele que a IBM tinha.
Tudo muito bem feito. Afinal a IBM “respeitava indivíduos”.
E para isso foi montada uma operação muito bem arquitetada onde os gerentes receberam instruções para “indicar”, dentro de quantitativo determinado, quais os “indivíduos” que deveriam receber o bilhete azul. A mensagem era clara, quem não aceitasse o “convite” para se demitir com o “sopão”, seria desligado dos projetos importantes, e o seu emprego não seria garantido caso não se conseguissem atingir o quantitativo desejado e ele poderia ser demitido sem o “sopão”.
Havia até uma assinatura onde o IBMista se dizia “ciente de que não teria mais direito”. Apesar de “ciente” não significar aceitação ou concordância, para a IBM, uma empresa sempre tão clara e precisa, o IBMista estava concordando que não poderia mais participar do plano de aposentadoria, mesmo arcando integralmente com as contribuições, e que não teria como recuperar décadas perdidas por não ter se inscrito em outro plano, pois a IBM, lhe havia garantido um. Tudo isso sem esclarecimento que levasse o “indivíduo respeitado” a repensar sua saída da IBM.
Foram mais de 4.000 ex-IBMistas que ficaram desempregados, com esta indenização mas praticamente sem mercado de trabalho pois a oferta superava em muito as vagas disponíveis, que eram poucas para os especialistas IBM. A maioria deles tentou uma adaptação em novas atividades, porém o resultado, na sua grande maioria foi desastroso. O dinheiro foi acabando e as preocupações, antes inexistentes, como plano de saúde, colégios para os filhos, qualidade de vida foram se reduzindo e de concreto mesmo, só poderiam contar com a aposentadoria do INSS. A situação era horrível para a maior parte deles.
Nisso, alguém descobre que os IBMistas tinham direito de continuar no Plano de Aposentadoria - o direito de continuarem contribuindo para a FUNDAÇÃO, mantendo a qualidade de participante do Plano e, com isso, assegurando o benefício da suplementação de suas aposentadorias, a ser conquistada, mais adiante, e com isso eles poderiam recuperar, em parte, o status perdido.
A Fundação criada pela IBM para complementar suas aposentadorias teria sonegado tal direito quando eles se desligaram dos empregos.
A explicação da Fundação era absurda. Ela utiliza três argumentos para negar este direito: 1o – decadência, 2o – renúncia e 3o o fato dela ter feito a contribuição total para a Fundação sem a participação dos funcionários. Embora estes fatos sejam aspectos jurídicos a serem considerados em ações, para os ex-IBMistas essas alegações soam muito mal porque, na verdade, a Fundação IBM não fez essas alegações na época do acordo de saída. Hoje todos eles se sentem enganados uma vez que nunca tiveram a oportunidade de optar pela continuidade ou não de contribuir para a Fundação IBM. Ora se hoje a Fundação apela para a renúncia ou decadência é porque na época havia, de fato, tal direito. Além disso, sem qualquer mudança da lei, em 2005, a IBM alterou os Estatutos da sua Fundação para incluir tal direito, sem qualquer menção ao passado! Quanto ao 3o argumento, a IBM ter feito a contribuição total, o que ela não faz mais desde 1986, face ao superávit existente na Fundação IBM gerado pelos PDV’s, muitos Juizes tem dito que ao fazer a contribuição total, a IBM está fazendo a parte dela e a do funcionário, como remuneração indireta, e por isso o funcionário teria o direito à Fundação, bem como julgam que a IBM deve se enquadrar em todos os incisos de um artigo da Lei e não a somente alguns como ela quer.
Os ex-funcionários entraram na Justiça pedindo o resgate do direito com a reintegração retroativa ao Plano de Aposentadoria e de pronto foram ganhando algumas ações, sendo que uma delas em definitivo no STJ.
Note aqui que o pleito não é absurdo. Não se pede indenização. Pede-se o direito de ser reintegrado ao Plano que ter a continuidade de seus direitos.
Parecia que vinha uma maré de sorte. Puro engano.
Os autores da ação ganha no STJ, em 2002, até agora não foram ainda reintegrados. Mas a IBM atesta em Juízo que assim o foram! Fato marcante, é que um deles conseguiu a tutela antecipada do Juiz, a IBM argüiu e ele faleceu sem ter seu direito exercido!
Depois desta ação vitoriosa, a Justiça começou a mudar de posição. Ganhava-se na primeira instância, perdia-se no Tribunal. Ganhava-se no Tribunal por maioria, perdia-se no recurso no mesmo Tribunal. Votava-se a favor num processo, meses depois se votava contra, sem qualquer explicação plausível. O STJ não tomava conhecimento dos recursos, pois implicava em reexame de fatos e provas. Em processo que lá chegou vitorioso, foi conhecido e julgado com a cassação da decisão do Tribunal que era favorável aos ex-IBMistas, sendo esta a única exceção até hoje.
Desta forma, o cenário na Justiça estava realmente muito difícil.
Porém, eis que surge uma janela de esperança. Com o advento do Governo Lula, um Governo para os trabalhadores (não era este o discurso?). A Associação dos ex-IBMistas do Brasil - AEXI-B, resolve enfatizar o uso da Agência supervisora e fiscalizadora dos seus direitos que é a Secretaria de Previdência Complementar – SPC, vinculada ao MPAS. Ela poderia resolver o caso de todo eles de uma só vez.
A AEXI-B faz então uma representação junto a SPC em janeiro de 2003.
Para o amplo direito de defesa, o novo Secretário forneceu aos ex-IBmistas, que não tinham recebido Estatutos e Regulamentos da sua Fundação, acesso aos arquivos da SPC.
Lá eles descobriram que em 1990 a Fundação e a IBM tinham pedido autorização a SPC para poder excluir automaticamente os ex-IBMistas que tivessem cessado o contrato de trabalho com a IBM. A resposta da SPC para a IBM foi NEGATIVA, pois os participantes tinham o direito de dar continuidade ao Plano desde que pagassem o custeio integral do mesmo, dali em diante até poder se aposentar. A SPC em ofício à IBM e Fundação determinava que esse direito fosse respeitado. A AEXI-B levou essa documentação para o pedido concluindo que, se a própria SPC já tinha informado à Fundação IBM, eles tinham o direito de continuar no Plano.
Como o Parecer estava demorando, a pedido da AEXI-B, a Comissão de Seguridade Social e Família – CSSF da Câmara dos Deputados convocou uma Audiência Pública para discutir irregularidades relativas à Fundação Previdenciária IBM em 21.10.2003, tendo como convidados o Secretário de SPC, a Superintendente da Fundação IBM, e Membro do Conselho de Gestor da Previdência Complementar – CGPC, JOSÉ RICARDO SASSERON. Apenas o último compareceu e reconheceu que as denúncias eram muito graves e que “a fiscalização (da SPC) foi falha, foi uma negligência do Estado”.
Parecia que a sorte ia finalmente chegar.
A CSSF, após sua análise e conclusões, reconheceu os direitos dos ex-IBMistas e deveres da SPC. A solução, depois de muita insistência e paciência, saiu através do tão esperado parecer. Coincidentemente ou não, sua entrega ao Presidente da AEXI-B, foi logo após a audiência do Senador Marcelo Crivella com o Ministro da Previdência para cobrar uma solução para o caso.
O referido Parecer reconheceu que os ex-IBMistas tinham o direito de continuar no Plano e que a Fundação tinha obrigação legal de oferecer tal opção aos participantes desligados dos empregos, e de incluir tal opção no Regulamento de Benefícios. Entretanto, colocou o ônus de uma prova judicial de que a Fundação não fez a oferta para continuarem no Plano.
É verdade mesmo! A SPC partiu do pressuposto que como havia uma determinação sua, em 1990, a Fundação respeitou o direito dos participantes de continuarem no Plano, e ofertou a eles tal opção, muito embora, a Fundação, durante toda a sua defesa junto à SPC alegasse sempre que os participantes não tinham tal direito e também não colocaram tal opção no Regulamento.
Ah! Agora a sorte chegou! Conseguiu-se a prova judicial que a SPC exigia e a CSSF encaminhou para a SPC pedindo providências. Mesmo com várias reiterações, somente respostas evasivas, promessas de fiscalização sem nenhuma resposta efetiva e conclusiva até o momento.
Na tentativa de novos rumos e soluções efetivas, a AEXI-B fez uma representação junto ao Ministério Público Federal para apurar quais as razões que levaram a SPC negligenciar do seu ofício de fiscalizar os Fundos de Pensão e de proteger os interesses dos participantes dos mesmos, em face das graves denúncias feitas pela AEXI-B e pela CSSF.
Com relação à sorte da IBM é que ela e a Fundação tiveram, com a exclusão ilegal de mais de 4.000 ex-IBMistas do Plano de Benefícios, a geração de um enorme superávit, resultado das reservas destinadas aos excluídos, constituída com dinheiro incentivado e que pertence a esses funcionários. Este superávit vem sendo usado para favorecer a patrocinadora IBM que por aquiescência da SPC, não paga mais o custeio do Plano, nem mesmo o administrativo, e ainda retira dele a importância de R$ 120 milhões de reais para pagar o Plano de Saúde que desde 1968 sempre foi encargo da patrocinadora IBM em total desacordo com a lei.
É ou não é sorte da IBM? Ou será azar dos ex-IBMistas este fato ter acontecido no Brasil.
É, pode ser.
Associação dos Ex-funcionários da IBM Brasil – AEXI-B
 
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