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quarta-feira, março 01, 2006

OpenDocument: ameaça ao MS Office

A suíte Office é um dos produtos de varejo mais lucrativos da Microsoft. Enquanto o Windows custa na faixa de R$ 500,00 a cópia, um pacote Office pode começar em R$ 700,00. Claro que para grandes empresas o preço pode ser bem menor que esse. A câmara dos deputados do Brasil, que iria comprar R$ 6 milões em licenças do MS Office gastaria perto de R$ 11 milhões se a MS cobrasse o preço de tabela de seus produtos. Primeiro problema em usar MS Office, caso você queira comprá-lo para sua casa ou pequeno negócio: você está bancando parte dos custos dos descontos para os grandes. Fazer os pequenos financiarem as compras dos grandes não é coisa de outro mundo, muita gente faz isso, não acho que a Microsoft seja canalha, você poderia dizer. Bem, e se você pudesse obter o mesmo pacote de serviços, com software livre, por um custo muito próximo de zero, o que diria?

Na verdade você pode, o novo OpenOffice 2.0 é muito melhor que as versões anteriores e se você pirateou o MS Office (desculpe, mas duvido que você tenha pago por ele o preço que a MS exige) apenas para uso cotidiano e normal; o pacote aberto irá tranquilamente atender as suas necessidades. Além disso ele é mais leve, mais rápido que o MS Office e é livre!!!

O pessoal do Software Livre sabe que a Microsoft não se importa tanto assim com a pirataria doméstica do Office. Não é aí que a MS ganha dinheiro. Tudo bem, um peixe ou outro cai na rede e compra a caixinha com 1 ou 2 CDs, alguns manuais e paga 2,5 salários mínimos brasileiros por algo que poderia conseguir de graça, mas isso não é a regra. Office rende mesmo no ambiente empresarial. Como a base de usuários é enorme as empresas não precisam treinar os funcionários para usar MS Office. Eles já sabem pois usam suas cópias piratas em casa para arquivar as receitas que pegam no programa da Ana Hickmann ;-) Porque usar um software que ocupa 1.5GB de disco e consome absurdos de RAM quando roda para tarefas tão simples é algo que eu não consigo explicar. Novamente existem centenas de alternativas proprietárias e livres para isso, e não falo apenas de OpenOffice, mas de muitos outros. Uma palavra me vem a mente: ignorância. O usuário ignora que o Office é algo muito profissional, avançado, aliás acho que 90% dos usuários não usam 25% dos recursos disponíveis. Mas todo mundo tem um MS Office instalado em casa, para fazer algo mais que rotineiro: substituir uma máquina de escrever com algumas vantagens. O usuário ignora que precisa tão pouco de um MS Office, ignora que em lugar do Office poderia usar um produto bem menor e mais leve; e ignora enfim que o Office é o que é porque atende à um plano maior da Microsoft: monopolizar o mercado de aplicações desktop.

O Office é pirateado em todo mundo (não apenas no 3o mundo) e a MS não se importa. Sabe que mais Offices rodando, sejam piratas ou legais, significam mais informação sendo guardada em arquivos no formato MS Office. Como o formato é proprietário e não documentado apenas a Microsoft poderá criar um sistema que leia esses arquivos. Ela sabe que seu próximo pacote Office, pirata ou legal, será outro MS Office. Assim ela impede que outros grupos ou empresas concorram com ela. Quem aí usa WordPerfect, ou Lotus Writer? Não fosse o idealismo exacerbado do mundo do Software Livre (que a própria comunidade ama criticar), a Sun (inimiga de longa data da Microsoft) e um punhado de bons programadores com alma de franciscanos talvez nem o OpenOffice existisse mais. Pois o plano da Microsoft tem funcionado.

Não tenho dados da penetração do OpenOffice no mercado doméstico. Talvez sua participação seja apenas um pouco maior que a do Linux em si, ou seja: muito pequena. No mercado corporativo, no entanto, as coisas começam a mudar. Fruto do amadurecimento do OpenOffice e de sua interface estar a cada dia mais próxima do MS Office, assim como as funcionalidades e usabilidade, então não critiquem isso, adoradores do OpenOffice. O fato da suíte livre ficar próxima e mais compatível com a da Microsoft é bom. Abre as portas para que menos treinamento e adaptação sejam requeridos por uma migração. E isso é bom.

Mas devemos nos perguntar o que é melhor: a perfeita compatibilidade com os padrões de arquivo do MS Office ou a adoção total de um padrão genuínamente livre, como o OASIS OpenDocument Format. Minha opinião: OpenDocument. Usar um Office livre mas manter os arquivos em padrão proprietário e compactuar com as intenções de Redmond. A compatibilidade com o MS Office é importante, por enquanto; mas assim que o OpenOffice torne-se mais presente nos ambientes corporativos os formatos proprietários devem ser abandonados imediatamente.

A câmara dos deputados queria voltar a usar MS Office principalmente porque os arquivos antigos e os recebidos de outros órgãos que usam MS Office apresentavam problemas de compatibilidade. Mas não seria justamente essa a razão em adotar SL? Deixar de estar preso a um padrão de uma única empresa? Por que então essa justificativa deva ser aceita para que o processo de escolha de SL seja abortado?

A questão da compatibilidade vai além. Não raro o próprio MS Office apresenta problemas com os seus próprios arquivos de versões diferentes. Ou seja: não há consistência de compatibilidade nem mesmo dentro da própria solução da Microsoft. Talvez porque a ausência de documentação consistente sobre o padrão afete a própria equipe de desenvolvimento do MS Office, tamanho o medo que a empresa tem de que outro software consiga usar seu padrão de maneira produtiva e 100% implementada.

Usando OpenOffice e arquivando dados em OpenDocument suas informações não ficam presas a um software específico. Já adotaram o OD o KOffice e o AbiWord. O TextMaker, o Lotus e o WordPerfect em suas próximas versões também serão compatíveis. Produzir em OpenDocument significa que não importa qual produto de escritório você escolha no futuro, seus dados estarão disponíveis e compatíveis. E essa possibilidade começa a tentar muitas empresas. Mais que isso, essa capacidade dos editores livres, de intercambiarem informação em um formato aberto e plenamente documentado pode tornar-se algo não apenas desejável, mas obrigatório para muitas empresas de todos os portes e governos de várias partes do mundo.

A Microsoft, previsivelmente, não adicionará suporte ao OpenDocument no MS Office. Porque para a Microsoft, permitir que seus usuários gravem arquivos que possam ser lidos em compatibilidade total por outras aplicações é dizer ao mercado que eles estão livres para escolher o melhor pacote Office. E o melhor pacote Office pode ser aquele que oferece 80% da funcionalidade do MS Office, mas a um preço muito menor, às vezes até de graça. Um padrão aberto e livre é o pior pesadelo do MS Office, porque deixa o usuário livre. Sem estar preso a um padrão que confina seus documentos antigos o usuário pode pesar melhor suas necessidades e escolher um produto mais adequado à elas. E nesse aspecto os produtos da Microsoft são normalmente perdedores, já que devido às práticas de mercado da empresa eles não estão acostumados a competir. Aqueles que não competem são normalmente muito ruins no que fazem. Assim por mais vantagens e qualidades que o MS Office tenha para boa parte do mercado ele é como um canhão laser para matar moscas: um produto enorme, pesado, com excesso de funcionalidades e complexidades que a grande maioria do público sequer sabe usar, e é vendido por um preço astronômico. O que sustenta sua liderança de mercado é a proibição latente de mudança de plataforma do usuário pela prisão de seus dados em um formato que ninguém mais no mercado tem a permissão de ler. Ao derrubar essa barreira, o usuário vai poder considerar se outra aplicação não serviria melhor a seus propósitos. E a liderança de mercado do MS Office estará por um fio.

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Comments:
Fala parceiro,

Cara, o seu texto realmente é muito bacana e encorajador. Mas descordo no ponto de vista "mais leve".
Veja só, em meu Windows XP, o Word 2003 (oficialmente da banca) abre em 1 segundo, acho que até menos, é clicar e abrir.
Já o meu OpenOffice leva em média 50 segundos para abrir o Writer... Fico um pouco chateado em relação a isso... Tentando uma melhora instalei o BrOffice que é a mesma coisa, mas nacional, e leva o mesmo tempo para abrir. Desabilitei o Java, aumentei a cache para abertura e nada... enfim.. Não estou aqui para criticar.r.sr.s
Agora em relação ao OpenDocument será uma maravilha, liberdade de escolha e uso, original pago, ou original de graça. Só precisamos melhorar em alguns pontos no BrOffice ou OpenOffice ( em relação a velocidade )para ficarmos em mesmo nível..

abraços
 
Eu acho que acompanhou uma briga entre a microsoft e um governo de um estado indizivel norte-americano sobre o formato. e lembro do comentario do cara da microsoft que dizia que o od, não suportava varia midias como video, me lembro de ter lido nos comentarios o cara fazendo ironia com isso dizendo que se divertia imprimindo videos.

Eu lembro que nesta mesma "briga" teve um cara que fez uma "metafora" bastante interessantes sobre o documento livre e do propretario, botando um documento num papel pardo e depois o mesmo documento numa pasta transparente.
 
Fábio, desculpe-me pela intromissão, mas estava pesquisando na net e cheguei no teu blogger. Tenho problemas desde que comprei um "maledeto" Windows XP, pois sempre trabalhei com Windows fosse 98, 2000, NT e Millenium. Acontece que nesta porcaria, além de não podermos executar mais do que três programas consecutivos ou o que é pior, mais de três janelas em cada um, o office é terrível. Abre documentos word, mas não consigo criar nenhum documento que não seja, a partir deste, um ridículo open document de extensão .odt. Acontece que ao enviar para um outro computador, geralmente a pessoa não consegue executá-lo. O que devo fazer? O que aconteceu com as extensões doc que eu tanto tinha o habito de utilizar em meus trabalhos de redação e tudo mais? Também tenho problemas com o ppt e pps. Por exemplo, antigamente em outras versões, quando eu recebia em formato ppt, bastava renomear a extensão para .pps e eu o transformava em apresentação direta com tela cheia e tudo, agora não. Tudo que recebo se transforma em uma única forma (ridícula) de apresentação e não consigo mudar isto. O que devo fazer? Tem sugestões para estes problemas? Agradeço informações, caso seja possível. Valeu!

Ricardo Thöni.
 
Fabio tenho 53 anos e moro em Curitiba,
estou aposentado e tentando aprender
Linux, gostaria de conhecer um instrutor
que pudesse ensinar-me os primeiros passos. (devidamente remunerado é claro) Já trabalhei muito com o DOS e depois geração Windows, sempre como usuário. Programei algumas coisas em Clipper também. Gostaria de conversar com vc.
meu mail é marco.marzulo@gmail.com
grato
 
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