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quinta-feira, janeiro 26, 2006

Terminais cruzados

Eu acho muito interessante no Linux/Unix a maneira particular que os desenvolvedores desses sistemas tem de tratar as coisas. Problemas comuns aos usuários de informática (de hoje e do passado) são resolvidos com soluções ora inusitadas, ora assustadoramente simples.

Tome por exemplo o X server, responsável para maioria das interfaces gráficas dos *nix em todo mundo. É um sistema cliente/servidor muito criticado, que envolve a implementação e operação de um conjunto de padões e protocolos muito grande e complexo. Possui virtudes adimiradas por muitos e defeitos rechaçados igualmente. Sua separação do sistema operacional é magnífica. É a independência do sistema que permite sua portabilidade, aplicabilidade e funcionalidades ímpares. Pode-se abrir diversos servidores gráficos em uma mesma máquina, pode-se operá-los de maneira flexível e ainda assim poderosa o bastante para ser um dos padrões de servidores gráficos mais antigos em uso comercial hoje.

Ao mesmo tempo o servidor X integra-se com o resto do sistema de uma maneira admirável. Usa seus protocolos de comunicação para conversar com outros clientes e servidores na rede e, graças aos ambientes mais modernos (como o KDE e o Gnome) pode-se operar um Linux na plenitude a partir da interface gráfica, praticamente dispensando-se um terminal (desde que você não seja administrador de sistemas ;-).

Por esporte decidi aproveitar a visita de uma amiga aqui em casa para brincar um pouco com uma das propriedades do X que eu mais gosto (e talvez a que eu mais quisesse que estivesse disponível em outros sistemas operacionais*) que é a possibilidade de fazer forward de terminais via rede usando XDM.

*Eu sei que existem versões/implementações do X para diversos sistemas e plataformas, mas não é a mesma coisa, certo?

Tenho 3 máquinas em casa, uma está sob a tutela da minha irmã, outra encontra-se em meus suntuosos aposentos e meu mais novo rebento, um notebook. Artemis, Phoenix e Bennu, respectivamente.

Artemis é um Pentium III 850MHz com 380MB de ram, HD de 20GB e vídeo nVidia TNT2 16MB. Serve apenas como desktop para que minha irmã navegue na internet, faça trabalhos de faculdade, acesse conteúdo multimídia, enfim, uma vida doméstica normal. Roda Mandriva 2006.

Phoenix é um Pentium III 850MHz com 640MB de ram, 2 HDs de 80GB e vídeo ATI Radeon 9200SE 128MB (não sei o que é pior, essa placa ou seus drivers). Serve como storage de mídia, incluindo DVDs e como minha máquina de produção principal. Roda Mandriva 2006.

Bennu é um Sempron 2800+ 754 pinos 1.6GHz com 768MB de ram, HD de 40GB e vídeo ATI Radeon eXpress 200M 128MB compartilhada (o driver é pior que a placa, mas ela também não é lá essas coisas). Serve como máquina de produção portátil. Roda Windows XP, com Cygwin e em breve alguma distro de Linux também.

Eu já havia configurado os servidores X dos desktops para que permitissem login remoto. Assim da phoenix eu poderia acessar o KDE da artemis e vice-versa. Com as configurações adequadas do Samba não havia diferença estar operando uma máquina ou a outra, você poderia acessar a qualquer momento os arquivos de ambas e usar qualquer programa que estivesse em qualquer PC. Isso é realmente impressionante, não fazer diferença a máquina física na qual você está logado.

Aproveitando a visita de uma amiga nesse fim de semana, e como tinhamos 3 computadores e 3 simpatizantes de Linux decidi brincar com as capacidades de comunicação em rede do servidor X. Operando a bennu com Cygwin eu iniciei uma sessão em meu Mandriva alojado na phoenix. Minha amiga, operando a própria phoenix navegava usando um logon de convidado, de maneira local.

Ficamos ambos operando a mesma máquina ao mesmo tempo, ela localmente e eu remotamente. Navegamos na internet, usamos messenger e eu editava um texto com o OpenOffice.org (um tutorial sobre del.icio.us que será publicado no meiobit.com em breve). A máquina tinha 100% da CPU usada pelo seti@home e grande uso de memória graças ao aMule, portanto com 3 usuários logados (eu estava logado duas vezes ;-) e não havia a menor percepção de lentidão (em um hardware de quase 5 anos de idade). Eu poderia aqui dizer que isso é impossível de fazer em Windows, ou se não é impossível é muito difícil e que isso te custaria dinheiro bastante para comprar um PC extra para que outra pessoa usasse. E é isso mesmo que eu vou dizer, pronto, considere dito! ;-)

Na verdade não há mesmo sentido na idéia do Windows ser multi-usuário (já que ele não é multi-tarefa mesmo hehehe não resisti a essa) já que para fazer isso funcionar você pode mesmo comprar hardware novo, acabando portanto com a necessidade de usar a mesma máquina para multiplos usos em paralelo com multiplos usuários. Mas a coisa ainda fica mais interessante.

Enquanto isso acontecia, em seu quarto minha irmã usava localmente a máquina artemis. Então sugeri que fizessemos uma brincadeira. Eu manteria meu terminal aberto em bennu logado à phoenix e minha irmã viria até a bennu e logaria também na artemis. Feito isso tínhamos 3 usuários em phoenix (2 remotos e 1 local), 1 usuário remoto em artemis e bennu usando Windows localmente e com sessões gráficas remotas em phoenix e artemis. Muito legal ver tudo isso funcionando, mais legal ainda é funcionar por 3 horas sem problema algum, e mais legal que isso apenas os leds do hub que piscavam feito loucos!

Brincadeira muito divertida, mas decidi não parar por ali. Após algumas modificações na disposição física dos usuários montei outro esquema. A partir de bennu loguei meu usuário em phoenix. A partir de phoenix minha irmã logou seu usuário em artemis. Então tínhamos uma seqüência de conexões onde nenhum usuário estava operando de fato o computador onde ele estava posicionado. Todas as operações eram remotas, em um esquema de clientes/servidores muito interessante. Com redes de computadores cada vez maiores, em nossas empresas e em nossas casas, esse tipo de característica de operação pode ser cada vez mais importante e cada vez mais valoriazada pelo usuário e pode ser um bom argumento para apresentar o Linux para um amigo que ainda não o conhece. São essas coisas que o Linux consegue fazer logo que é instalado e configurado (e que outros sistemas mais populares não conseguem sem software de terceiros que geralmente custa muito) que permitiram a sua grande penetração no mundo corporativo que também podem facilitar sua entrada em pequenos escritórios e casas mais integradas digitalmente.

Em outra frente temos o Linux tornando-se popular em centros educacionais, escolas e centros de integração digital. Isso faz com que todo dia muitos jovens tomem contato com esse sistema e com o que ele pode fazer. Tudo isso possibilita que em um futuro não muito distante sistemas e tecnologias livres estejam ainda mais presentes em nossa realidade cotidiana. E todos terão uma história com terminais remotos para contar.

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