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domingo, outubro 23, 2005

O Linux cada vez mais perto

Muita gente está falando do Ubuntu. Não vou dar nenhum link a esse respeito porque vi tantos artigos sobre ele ultimamente que seria injusto apontar para um só. Passear rapidamente pelo seu site de notícias predileto pesquisando por Ubuntu irá trazer uma lista de bom material para entender o que estou falando. Desde opiniões de usuários leigos que viram um GNU/Linux pela primeira vez pelos olhos da distro sul-africana até artigos mais técnicos foram escritos recentemente.

Eu nunca usei o Ubuntu, mas todo mundo elogia algumas coisas nessa distro, como por exemplo:
- A facilidade de instalar aplicativos;
- A facilidade de manter o sistema atualizado em uma base quase diária;
- A facilidade em usar o sistema no dia a dia, já que ele traz um conceito muito simples: apenas uma aplicação para cada tarefa, que simplifica a vida do usuário que chega do Windows.

Essas, entre outras, características aproximaram o Ubuntu da experiência desejada para um iniciante em Linux e colocaram essa distro na berlinda do mundo so software livre. Tudo isso traz muitos aspectos positivos, faz bem para os usuários e para o software livre.

Quem acompanha meu blog há algum tempo já teve um panorama da minha experiência pessoal com computadores, mas pra quem não lembra ou está aqui há menos tempo vou resumir um pouco da minha história.

Quando eu era apenas um infante em 1988 queria, como muitos outros garotos, um video-game. Por algum motivo que até hoje não entendi meu pai decidiu presentear-me com um computador e não um console. Me deu um MSX. Vou dividir os leitores aqui em 3 categorias, a saber:
1-Aqueles que conheceram o MSX e não acham que ele seja um computador;
2-Aqueles que conheceram o MSX e, comparando-o aos PCs da época, acham-no um bom computador;
3-Aqueles que não conhecem o MSX pessoalmente ou nem de nome.

Não irei entrar em detalhes técnicos ou de plataforma, há muito material na web para quem quiser relembrar ou conhecer essa antiga máquina. Mas vou dizer que o MSX 1.1 que eu ganhei foi a base de tudo que eu desejo e almejo construir enquanto ser-humano. Isso é forte, mas tenho um bom argumento. Eu era apenas uma criança que ligou aquela caixinha preta pela primeira vez e deparou-se com uma tela negra, um cursor branco estático e um dizer até então enigmático: RAM 32Kbytes livres.

Eu não sabia o que era RAM, Kbytes ou pra que isso serviria, eu apenas estava desapontado por não poder jogar River-raid ou Pacman como meus colegas possuidores de um Atari2600. Mas havia um manual em português de introdução ao MSX e um outro manual (de umas 200 páginas) sobre a linguagem MSX-Basic. A imensa paciência do meu pai em ensinar-me os conceitos básicos e de traduzir para minha mente infanto-juvenil o que havia naquelas páginas fez-me entender que com aquela maquina eu poderia, pela primeira vez em minha vida, construir algo.

A experiência de construir programas com pequenos comandos embriagou-me verdadeiramente. Programar era um deleite que eu não trocava por nada. O êxtase de escrever código e depois ver coisas acontecendo de maneira automática era, e é até hoje, fantástico!

Descobri então minha vocação: construir coisas! Isso era o que eu queria fazer, e é o que quero fazer até hoje, e provavelmente é uma vontade que irá me acompanhar até meu destino final. A ânsia de construir levou-me à engenharia, profissão de escolha, cujo diploma deve estar em minhas mãos ao final deste ano letivo. Mas durante a faculdade descobri que não precisaria edificar prédios para o resto da vida. Descobri que qualquer coisa é edificável, tudo pode ser construído ou reconstruído. Encontro-me hoje, ao menos penso assim, construindo algo agora mesmo, escrevendo este artigo.

Se você captou o que eu quis dizer até agora pode imaginar o desprazer que foi para mim encontrar um PC com Windows pela primeira vez. Meu primeiro PC, que destronou meu velho MSX, era um 486 com Windows 3.1 e foi algo que odiei até o seu último suspiro. Tudo estava pronto, nada precisava ser construido ou reconstruído. Pior que isso, eu não poderia tentar construir ou reconstruir nada. Não havia um manual de linguagem, não havia um manual de arquitetura da máquina, e tudo que estava pronto eu não tinha como estudar ou entender, pois todo o código que rodava estava absolutamente fechado e distante. Não havia internet para mim naqueles dias, e eu estava preso à uma caixa que limitava minha inventividade adolescente. Foi um pesadelo completo.

O tempo passou, o 486 tornou-se um 586. O Windows deu lugar ao OS/2, que era muito melhor, mas igualmente limitante. Um dia eu ouvi falar de Linux. A internet já existia para mim e fui tentar entender o que era UNIX, Linux, e essas coisas que ninguém que eu conhecesse pessoalmente jamais ouvira falar. Pesquisando sozinho, da zero hora às seis da manhã, descobri, entre outras coisas, que o Linux tinha o código fonte aberto e que sua instalação trazia um compilador completo. Apaixonei-me pelo conceito disso, porque para mim era como ter os tempos de MSX de volta. Imagine-se com 30 anos e podendo sentir-se novamente com 16. Bem, eu não tinha (e ainda não tenho) 30 anos, mas para mim era como estar novamente sentindo aquela vibração juvenil de poder construir as coisas, como no MSX. Acho que compliquei tudo agora, não? ;-)

Eu usava o OS/2 e era afeiçoado à ele e sua superioridade técnica ao Windows. Mas decidi baixar e instalar o Linux para buscar novamente aquele sentimento de estar no controle. Conseguida a cópia de um RedHat 5 (importada em uma mídia comprada na Cheapbytes) parti para a instalação. Foi um desastre! Fiz besteira ainda no particionamento e acabei por apagar todo meu disco rígido. Concluí que o Linux não estava pronto para mim e voltei ao OS/2, com o qual fiquei por mais 3 anos depois desse episódio.

Isso deu-me a perspectiva do usuário leigo de hoje, que não entende de particionamento de discos e por isso pode achar o GNU/Linux um pouco complicado ou imaturo demais para sua vida prática. Eu levei algum tempo para entender, e hoje compreendi de fato, que não era o Linux que não estava pronto para mim. Eu não estava pronto para o Linux também. Não estávamos prontos um para o outro.

Algum tempo depois, conforme o Linux e eu amadurecemos, nos encontramos novamente. Hoje convivemos todos muito bem, meu Linux, eu, um Tux de pelúcia que fica aqui na estante, duas canecas com o Tux nas quais bebo café diariamente, dois chaveiros do Tux que transportam minhas chaves de verdade e mais algumas coisinhas com aquele pingüim legal.

O Linux melhorou muito, desde meu primeiro encontro traumático com ele, mas eu também melhorei, aprendi mais ainda e me tornei mais técnico. Tenho defendido o ponto de vista de que o usuário deve ter algum conhecimento técnico mínimo para poder usar um computador. Esse mínimo é, sem dúvida, um pouco mais alto para o Linux do que para o Windows, apenas pelo fato de que o Linux é um sistema mais flexível.

No Windows o usuário não precisa saber configurar um servidor gráfico, unicamente porque ele não tem o que modificar em seu servidor gráfico. No Windows o usuário não precisa saber o que é um módulo de kernel porque o Windows não consegue fazer carga e descarga dinâmica de módulos de kernel (se o Windows pudesse fazer isso não precisaria ser reiniciado após a instalação de um novo driver de placa de vídeo). Boa parte das complexidades adicionais que o Linux tem hoje em relação ao Windows são provenientes de características técnicas que o Linux possui e o Windows ainda não.

Isso ocorre porque o Linux tem amadurecido cada vez mais nos últimos tempos. Um bom exemplo disso é o ponto de vista do post do blog do Bruno Torres: Instalar programas no Linux é mais fácil do que no Windows. Claro que nem sempre é mais fácil instalar programas no Linux do que no Windows. Mas a recíproca é verdadeira, nem sempre é mais fácil instalar programas no Windows.

Aqui em casa eu sou o responsável por manter os computadores funcionando. Para minha irmã, que tem um PC no quarto, isso sempre foi muito cômodo. Quando algo estava errado ela me chamava. Um dia decidi que isso deveria mudar. Comuniquei à todos os usuários de computador de minha casa (irmã, pai e mãe) que não mais daria suporte ao Windows, que aqueles que decidissem permanecer nele deveriam cuidar de sua manutenção. Eu apenas suportaria sistemas Linux. Não foi nenhuma novidade para mim que ninguém quis usar Linux. Os jogos que todos gostam de jogar rodam apenas em Windows, estava tudo lá, e ninguém queria mudar para algo novo e aprender a usar o computador de novo.

Esse panorama durou apenas alguns meses. Logo os computadores estavam infestados de virus, com os HDs abarrotados de programas inúteis e pop-ups de material pornô e cassinos on-line. Ninguém, nem mesmo minha irmã (usuária de Windows há 4 anos na época) conseguia fazer as coisas direito. A única reflexão que consigo ter deste experimento que realizei é: o Linux pode não estar pronto para o usuário doméstico leigo, mas o Windows também não está. Você pode argumentar que o Windows está mais próximo deste objetivo, concordo, mas o Windows não é nem de longe fácil de usar quanto a propaganda oficial da Microsoft (e dos demais opositores do Software Livre) faz parecer.

Grande parte dos problemas ocorreu em algo que deveria ser corriqueiro: instalar programas. Minha irmã, toda vez que queria um programa novo, lançava-se em uma busca por ele no Google. Instalava qualquer executável que pudesse parecer-se com o que ela desejava. E quando o firewall (o ZoneAlarm) perguntava se algum programa (qualquer um) poderia acessar a internet a resposta era Yes (Always - don't ask again). Você pode sentir-se tentado à criticar esse tipo de comportamento, mas surpreendente ou não, é como a maioria dos usuários leigos usam os computadores em sua vida pessoal.

Quando todos suplicaram para que eu resolvesse tudo, mantive-me firme, só ajudo se for Linux. Linux devidamente instalado em todas as máquinas, pus-me a ensinar a todos o básico necessário para navegar na internet, jogar jogos de cartas, criar documentos com OpenOffice. E para minha irmã ensinei como tornar-se root e usar o urpmi (do Mandrake/Mandriva). Ela queria instalar o aMSN (ou o Gaim, não me lembro agora qual deles). Vamos lá:
su
[senha]
urpmi gaim
exit

A percepção dela foi surpreendente. "Só isso? Não precisa baixar o programa?" Claro que precisa, mas o Linux baixa sozinho. "Como ele sabe onde está o programa?" Ele tem uma base de dados que diz onde achar o programa pra você. "E depois disso o programa está instalado sozinho?" Sim, aparece lá no seu menu. "Nossa, que jóia. Porque no Windows não é assim?" Bom... não sei.

Instalar alguns programas (aqueles que a equipe da Mandriva compila para meu sistema) no Linux é mesmo muito mais fácil que no Windows. Isso eu não precisei explicar para um usuário de 4 anos de Windows e 20 minutos de Linux. O que eu precisava explicar, e não consegui, é porque um sistema que é livre, e que me custou apenas alguns poucos trocados (o preço da conexão para baixá-lo e o valor das mídias que usei para instalá-lo) era tão mais competente e simples do que um sistema pelo qual eu paguei cerca de US$ 300,00.

Talvez eu não tenha conseguido explicação para isso porque isso seja inexplicável. Talvez nem a Microsoft tenha uma explicação para isso, daí a cada seis meses inventar novos motivos para malhar o software livre, o último é falta de integração.

Usuários vindos do Windows apresentam dificuldades em lidar com o Linux porque tem vícios culturais terríveis. Assim como eu, muito bem aconchegado ao Linux, tenho dificuldades em ajudar um amigo que me liga às 23 horas perguntando como alterar o seu IP em um WindowsXP. Eu estou acostumado à cultura Linux o bastante para estranhar e achar difícil usar o Windows. Estou do outro lado da moeda.

Novatos que deparam-se pela primeira vez com um bash shell sentem o mesmo frio na barriga que senti anos atrás ao ler RAM 32Kbytes livres na tela de meu primeiro computador. Quando descobrem que um só comando pode instalar o programa desejado, sem erro e sem surpresas desagradáveis, uma grande dúvida aparece: porque falam que Linux é difícil? Quando descobrem que existe um programa gráfico onde basta buscar pelo nome que o programa desejado pode ser instalado com um único clique de mouse essa dúvida fica ainda mais evidente.

Nem o Windows nem o Linux estão prontos para o usuário leigo doméstico. Ambos exigem um certo aprendizado para serem usados. O aprendizado em um deles irá tornar o outro meio estranho, e a maioria das pessoas aprendeu em Windows, só isso. Com o acompanhamento adequado, de um amigo por exemplo, qualquer usuário pode gostar do Linux e habituar-se com sua maneira de fazer as coisas, basta querer. Distros como o Ubuntu ajudam muito, pois muitos usuários recém chegados do mundo o Windows terão possibilidade de sentir-se mais à vontade.

O Linux continuará amadurecendo nesse sentido. E cada vez mais os usuários estarão amadurecendo para entender e usar os computadores. Preste atenção em como as crianças estão aprendendo a usar essas maquininhas e como muitas delas estão aprendendo desde cedo com o Linux. E em breve não só o Linux estará pronto para o mercado doméstico, mas o mercado doméstico também estará pronto para o Linux, da mesma maneira que um dia eu também fiquei pronto para ele.

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Comments:
Muito bom Fábio ! , eu tive um atari , eu joguei river ride lalalala ..ehehehehe, o primeiro PC que mexi foi em um XT , muito estranho ... ver meu tio programador fazer os programas dele naquele PC me fez achar aquilo estranho e legal . bom me fez ser oque sou hoje , programador...

Mas sobre o Ubuntu , cara você esqueceu de falar sobreo Debian CDD BR :) ele é muito parecido com o Ubunto , porém , é brasileiro e tem algumas outras facilidades também.

FALOW !
 
Eu comentei apenas sobre o Ubuntu porque todos estão falando muito bem dele ultimamente e é mais provável que usuários windows dêem ao Ubuntu uma primeira chance. Ainda que seja verdade que o Debian CDD BR é um grande trabalho de sua equipe para levar o Debian ao desktop de maneira muito competente não era objetivo do artigo falar sobre todas as alternativas para o usuário leigo e discutir sobre elas ou compará-las. Mas sem dúvida o Debian CDD BR é um sistema muito bom para quem está começando no mundo GNU/Linux.

Eu joguei bastante river-raid também, no próprio MSX, que aliás era muito melhor (do ponto de vista gráfico) que o do Atari. De fato o MSX na época era muito melhor que o Atari e muito melhor que o XT. O MSX podia exibir até 16 cores simultâneas na tela em 320x200 pixels de resolução e possuia um sintetizador de som de vários canais, algo que os consoles e computadores só vieram a ter alguns anos depois. MSX era uma plataforma avançada de computação para sua época e era intercompatível, qualquer máquina de qualquer fabricante que atendesse ao padrão poderia ler software escrito para qualquer outro hardware. Em 1990 um amigo meu possuía um XT e eu me lembro de achar o XT uma máquina muito limitada e com poucos recursos perto do meu MSX, que sem dúvida me permitia criar as coisas de maneira muito mais fácil e mais poderosa do que o XT.

Recomendo à todos os curiosos que busquem informações sobre esse padrão para entender na plenitude o espírito que eu quis passar em meu texto ;-)

Obrigado pela visita e pelo comentário.
 
O início da resistência ao Linux aqui em casa foi motivada por até mesmo medo de não aprender as coisas, até um pouquinho de preguiça... Mas hoje eu confesso q não consigo mais usar o windows sem achá-lo limitado, ultrapassado e extremamente prolixo. O Linux me conquistou pelas facilidades, pela maneira como o usuário pode interagir com o sistema, sem ter q se deparar com telas azuis e janelas q iniciam com "você tem certeza..." ou então "seu computador precisa ser reiniciado para que os programas...". Hoje em dia, após alguns meses usando Linux, me pergunto como as pessoas conseguem conviver com um sistema como o windows... chego a passar raiva qd por algum motivo PRECISO utilizar windows na faculdade ou na casa de alguém... Não é um sistema intuitivo e pra me lembrar de como lidar com ele sofro um bocado.
Enfim, posso dizer q minha resistência em adotar o Linux foi em parte inabilidade, e outra por ainda não estar pronta pra ele, assim como vc há alguns anos. Mas aos poucos estou aprendendo... e vou continuar me esforçando.
Um abraço, maninho!
 
Texto legal, daquele tipo que a gente guarda pra mostrar pros outros. Parabéns. Mas, ah, o MSX não era tão unânime assim não... você nunca participou de alguma flamewar MSX x Apple II, né? ;)
 
Olá patola! Belezinha?

Obrigado pelo grande elogio ao meu texto... esse elogio também será guardado e mostrado para muita gente! ;-) Valeu mesmo!

O MSX não era unânime... hehehe só era melhor que o PC XT (de sua época, claro). Nunca participei de flamewar de MSX x AppleII pq seria como participar de uma flamewar entre apreciadores de bananas e de maças... sem sentido. Aliás qualquer flamewar é sem sentido. Com certeza o Apple, o AppleII e os outros tinha muitas qualidades que os tornaram grandes plataformas. O MSX foi apenas o ponto de partida para mim e o computador que me instigou a descobrir a matemática, a física, a programação... enfim. Pra mim foi um grande marco. Até comentei no artigo que haveriam leitores que conheceriam o MSX mas não concordem que ele seja um bom computador, o que é totalmente válido e, por que não dizer, um direito de cada um ;-)

O único fato é que essa maquininha significou muito para mim e tive vontade de comentar isso para matar a saudade. Melhor, pior, bom ou ruim são conceitos pessoais e pouco exatos. E no fim das contas é bom que cada um ache uma coisa, não? Afinal uma sociedade construída sobre diferenças pode ser bem mais interessante que uma construída sobre semelhanças. Mas ainda assim é bom saber que antigos usuários de AppleII estão freqüentando meu blog para trocar uma idéia, seja sobre os velhos ou sobre os novos tempos ;-)

Que sejam bem-vindos todos, do AppleII, do MSX e do XT... :-P
 
Muito bom o texto Falcon, muito mesmo. Sou usuário de Linux a meros 3 meses, digamos que estou engatinhando, mas de uma coisa é certa. Faz 2 meses praticamente que não consigo entrar no Windows. A flexibilidade que o meu Kurumim (versão para iniciantes) me dá é muito show.
Adoro ficar fuçando nele, estragando, instalando dinovo e descobrindo todos os processos para realizar operações que antes eu só conseguia no OS proprietário; Já estou engatinhando sim, mas se Deus quiser, em breve conseguirei andar e depois correr com o Linux..
Abraços cara, estou sempre por aqui, mas não comento muito.r.sr.s
 
Fatality, Flawless Victory, 25 Hits, Victory, You Win, Enemy has left the game, Congratulations, New Record, Great, Marvelous, Perfect, The End!

O que mais eu poderia dizer sobre esse post, pegando o embalo dos jogos para console que embalaram jovens mentes curiosas e criativas?

Meu primeiro computador foi um PC Intel x86 de 200Mhz.
Um computador bastante avancado já, ""user friendly"" via Windows 95.
Tive que saciar minha sede de curiosidade, de criatividade, de além, de querer controlar o que uso, de liberdade, de "fucabilidade", de desenvolvedor, de interesse por saber como funciona meu pc, de criador e de artista em tecnologia, indo buscar uma instalacão do Linux Guarani, predecessor do Conectiva...

Talvez não falte nos usuários, leigos ou não, tecnicamente prontos ou não para um Sistema, a iniciativa de ir além? Assim como disse sua irmã, não faltou o impulso pessoal de querer buscar uma realidade nova e deixar a comodidade para trás?

Nós, que tivemos, acredito, infâncias e adolescências que incentivaram esse tipo de atitude, somos privilegiados.

Falta, como você disse, a vontade de sair da caverna de sombras Platoniana e ir ver a luz refletindo nos objetos reais e incidindo e nossas retinas da consciência. Ver o mundo com outros olhos, transcender o comum, imaginar outras possibilidades.
E, assim, usufruir, não só do diferente, mas sim da consciência de saber que há versões de realidade, e nunca somente uma realidade absoluta.

Post perfeito.
Parabéns.
 
Permita-me elogiá-lo mais um bocado:

Sua "argumentacão" (foi mais uma exposicão de fatos) sobre Windows não ser tão mais fácil de usar que o Linux para usuários leigos, foi brilhante.

O exemplo do "mais 3 meses e tudo estará em pandemônios" é contundente: não há sequer um único usuário (leigo ou não) de Windows que eu conheca que não se depare com o problema do computador ficar lento, infestado de lixo, de spyware, de trojans e com lentidão e travamentos por conta de inúmeras operacões feitas no, no mínimo, esdrúxulo "Registro do Windows".

Que Sistema é esse que necessita de ferramentas "thirdy party", como os regcleanners da vida, para consertar algo que é vital para o mesmo?

Se analisarmos de fora e de longe, a lógica (ou a falta dela) é absurda!
Poderiam matemáticos provar, por, permita-me a brincadeira, `expr $a + $b`, que o Windows NÃO FUNCIONA.

E essa (ou lapso de) lógica se propaga em várias empresas ditas corporacões mundo afora.

A Microsoft, não contente com o dinheiro que ganha em cima de um Sistema falho e descaradamente ausente de usabilidade, ainda tem "as manhas" de agora querer lucrar em cima das próprias falhas de suas crias bastardas: basta desenvolver um sistema Anti-Spyware, Anti-Viral, Anti-Trojan, Anti-Qualquer-Coisa-Que-Meu-Sistema-Falhe e cobrar mais outras licencas, ou agregar o valor ao preco do "software".

É mole?
 
(Eita leitor chato, porque ele não abre um blog deste teor de assunto e não publica suas idéias nele, e só envia o link, né?)

Sobre o Linux:

Também sofri o "primeiro impacto decepcionante" ao tentar instalar o sistema em meu computador.
Mas não foi com o particionamento em disco, por incrível que pareca, e apesar de perder também tudo que tinha (aliás, eu não tinha muita coisa, ainda não existia DivX e mp3, né? Pelo menos não tão difundidos...).

O problema se deu na configuracão dos periféricos (incluindo monitor) e drivers em geral...
Conseguia navegar na internet no console com o links e entrar no IRC pelo BitchX, e eu me sentia realizado com isso, mas logo abandonei por causa dos aplicativos office e o modo gráfico.

Sou da opinião de que o Linux hoje já está muito mais do que pronto para os usuários. Vide Kurumin, Ubunto e estenda a essa lista ao inumerável.
Usei Kurumin no LiveCD e fiquei atônito: eu não precisava saber nada para usar meu Mensageiro Instantâneo, minha ferramenta Office, meu player de música e vídeo, etc.

O que falta mesmo é a vontade, e muitas vezes oportunidade - e isso é um verdadeiro crime que acontece diariamente: assistimos passivamente a genocídios de oportunidades - nos usuários de entender o mundo à volta e aproveitar melhor o que ele oferece.

Infelizmente o mundo capitalista nos comprime a ponto de termos consciência de que estamos perdendo alguma coisa, mas deixa pra lá, precisamos pagar as contas, né? Amanha é outro dia, e outro dia significa mais um dia!

Um grande abraco.
 
Viva. Falo desde Portugal...aquele abraço.
De facto o KURUMIN LINUX que é em português e, na minha modesta opinião, do melhor que já vi tanto a funcionar em "velocidade de cruzeiro" como no processo de instalação onde não deixa nada para trás no reconhecimento do hardware.
Ainda não encontrei nenhuma versão mais fiável e competente...essa é a verdade.
Até á próxima.
 
Saudações a todos os amigos que estão contribuindo com o diálogo. Muito obrigado por todos os elogios.

Muito bom saber que o Kurumin está alcançando usuários em outros países. Orgulha-me muito que o Kurumin, que tão orgulhosamente carrega a bandeira brasileira em sua arte, seja um produto tão bom e tão respeitado até em terras portuguesas. Aqui no Brasil temos o péssimo hábito de desacreditar nosso povo e nossa pátria. Quando perdermos essa mania de achar que não somos nada e que não podemos fazer nada de bom talvez consigamos ser uma grande nação, uma mãe de respeito para os filhos.

O Kurumin é realmente muito competente para reconhecer e instalar o hardware. Faz isso melhor que a grande maioria das distribuições Linux que estão por aí. E seu esquema de ícones mágicos faz da vida do iniciante em Linux um passeio no parque. Quem repete o enlatado discurso do "Linux é difícil de usar, não está pronto para o mercado doméstico" mostra que não tem muito contato e conhecimento das distribuições mais recentes.

Como eu disse, talvez o Linux não esteja pronto para o mercado doméstico, mas então o Windows também não está. Porque em facilidade de uso o a maioria das distros Linux batem o Windows bem fácil. Não vê quem não quer!

Obrigado amigos e continuem aparecendo por aqui e contribuindo...

Valeu
 
Rapaz ... é "pano pra manga" esse assunto ... Não consegui sair do blog sem ler até a última pontuação de texto! Isso que todos falaram e que se iniciou com a forma livre e verdadeira do artigo muitíssimo bem "arrumado" foi prazerosa leitura de um só fôlego. Acabei de baixar o Kubuntu e vou instalar no meu note, onde já tenho o Kurumin 5.1 alpha4 instalado. Deixa eu falar uma coisa mais sobre o ubuntu? Sabem que hardware proprietário (como os notes) são um pouco complicados, e o meu notebook Toshiba Satellite A25-S279 NUNCA teve controle de brilho no linux (teclas de Função Fn+F5/F6) pela falta de suporte ao chamado hot-key. Isso, à noite é frustrante pq vira um faixo cegante de luz que iviabiliza o trabalho e consome muito também. Mas, não é que o ubuntu até isso resolveu, dando funcionamento ao controle de brilho com as tais teclas ... isso tudo sem eu dizer nada pra ele! Eu não tenho - ainda - bagagem pra compilar kernel e fazer os acertos que fariam funcionar - e em todos os fourms que pedi ajuda em nada deu - por isso, vai mais um ponto - e grande ponto - ao ubuntu que tirou de dez mais esse!

Abraço a todos e a vc meu prezado Fábio Luiz pelo EXCELENTE blog que vai direto pro meu blog também, se me permite ;)

Farley Rangel
 
Obrigado Farley.

Todos esses elogios deixam-me muito feliz e certo e estar fazendo um bom trabalho. Como o próprio nome do blog diz: Livre Acesso! Defendo o livre acesso à informação por parte de todos. Portanto sinta-se livre para usar meus textos em outras publicações. Só esteja certo de respeitar a Creative Commons de acordo com o dispoto no link da página principal do meu blog, ok?

Valeu!
 
Este texto é simplesmente fascinante! Faz-me remotar ao tempo em que instalei por curiosidade o OS/2 Warp que ganhei como brinde em um cursinho de informática. A felcidade de ver um programa em REXX que eu fizera rodando me deixou extasiado - pena que REXX fosse uam linguagem extremamente complicada para alguém que nunca vira nada semelhante.

Também me faz lembrar quando me deram um CD do FreeBSD 4.8. Eu acabara de entrar na universidade e de ganhar um computador com Windows XP. Apaguei o XP, reinstalei-o e deixei duas partições: uma para o diabinho e outra reservada para algum Linux. Depois de quatro meses, consegui ver o KDE rodando em 800x600 com 256 cores, hehehe... foi muito divertido. Ainda usava o Windows por falta de habilidade, nem ligava o FreeBSD, mas a experiência foi marcante e, quando consegui os CDs do Debian Woody (eu fazia questão de que fosse Debian porque queria uma distro livre - embora fosse um conceito meio errôneo este) a seguinda partição ganhou vida. Daí em diante, foi só euforia. Era sofrível ter de usar o AbiWord (que é muito bom, mas muito beta) mas nunca aprendi tanto em tão pouco tempo. Depois, foi só começar a trabalhar, pôr Debian no do trabalho e entrar de cabeça no mundo Sarge.

Depois de tanto tempo, usar Windows é um desprazer, tanto quanto para muita gente é usar uma distro Linux. Questão de gosto - e ainda consigo usar Windows sem grandes problemas.

Mas, sinceramente, este seu texto me fez lembrar de toda a minha aventura e, de fato, me emocionou bastante. Parabéns! Seu blog já é um dos meus feed a partir de agora!
 
PARABÉNS pelo texto. Muito bom mesmo.
eu estou tentando mudar a muito tempo para linux mas em meu compultador tem tem tambem outros usuários que sempre usam o windows, por isso deixo os dois instalados, mas um dia chego lá. Parabéns.
 
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