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quinta-feira, outubro 06, 2005

Forças de Mercado - Os jogos vão chegar!

Em um post anterior aqui no blog eu expressei minha crença de que o GNU/Linux (e outras variantes livres do UNIX, como o BSD) irão ganhar um grande impulso quando mais jogos de nível profissional chegarem para essas plataformas. Com algum tempo e com o anúncio da iD software de lançar a próxima versão do Quake simultaneamente para Windows e GNU/Linux acredito que caiba um detalhamento um pouco maior do assunto.

Fatores que podem impulsionar os jogos em Unix-like
-O mercado de jogos para Windows pode ser visto como um mercado sobre-carregado. Centenas de empresas ao redor do mundo publicam jogos para Windows e a concorrência é enorme. Uma nova plataforma para publicação de títulos é um novo mercado a ser conquistado, e portanto uma boa opção de investimento. Software houses competentes podem criar jogos portáveis e com pouco esforço levar títulos criados para Windows a rodar em GNU/Linux nativamente ampliando sua gama de possíveis clientes.

-Uma grande empresa do ramo, como a iD Software, levando um título tão famoso, como o Quake, para a plataforma Linux irá estimular suas competidoras a fazerem o mesmo. Outras grandes, como a Eletronic Arts por exemplo, podem iniciar um esforço de levar outros bons títulos, como The Sims, para o Linux para não perderem vantagem competitiva em relação à iD Software. Estaria assim quebrado o círculo vicioso da necessidade de uma grande base de usuários para que as grandes empresas criem títulos para a plataforma. Elas o fariam para manter-se na vanguarda competitiva em relação à suas rivais, sendo então um grande atrativo para usuários que querem testar o Linux, mas não o fazem pela ausência de grandes títulos na área de jogos.

-Com a chegada de grandes títulos dos maiores desenvolvedores a base de usuários pode experimentar um crescimento maior, principalmnete no nicho doméstico, estimulando também grandes empresas de outras áreas a portarem software para a plataforma e iniciar um competição saudável com os softwares já existentes em GNU/Linux e BSDs. A qualidade geral dos softwares, tanto de Linux quando de Windows, melhoraria muito.

-O lançamento do Playstation 3 pode estimular grandes empresas a escrever software para o GNU/Linux. A máquina, baseada na tecnologia Cell, rodará uma versão de Linux como sistema operacional. Pode-se esperar que os softwares escritos para ela, como bibliotecas gráficas, kits de desenvolvimento e outros guardem alguma semelhança com seus equivalentes em Linux de PCs. Se isto for verdade, uma simples publicação do GDK da Sony do PS3 para GNU/Linux pode ser suficiente para que as grandes empresas de jogos possam portar seus programas para a plataforma Linux de maneira que eles possam ser rodados em PCs comuns. A Microsoft fez isso com seu XBox (que era nada mais que um PC modificado para parecer um console) e quase todos os títulos publicados para XBox podiam ser recompilados para rodar em Wintel e vice versa. Se o mesmo ocorrer com o Linux e o PS3 uma grande barreira ao desenvolvimento de jogos para Linux estará derrubada.

-O hardware Cell ao entrar no mercado de computadores facilitaria ainda mais a vida de todos. Com as intenções do consórcio desenvolvedor do Cell, que inclui IBM, Toshiba e Sony, de lançar hardware para computadores de mesa baseado nessa plataforma em 2007 um PC Cell estaria muito próximo (em termos de arquitetura interna) do PS3 o que diminuiria as modificações necessárias no GDK e nos jogos para que pudessem chegar aos computadores de mesa equipados com o novo hardware e Linux. Como a MS teria de reescrever seu sistema e SDKs para a nova plataforma todo mundo estaria partindo do mesmo lugar, com a vantagem da Sony já ter experiência com a plataforma, pois há 3 anos vem desenvolvendo para ela. Isso seria simplesmente mágico! Pois os jogos de PS3 estariam muito mais próximos dos novos computadores do que os jogos de XBox/Wintel, podendo ser lançados para Linux bem antes dos concorrentes.

-IBM, Toshiba e Sony, desenvolvedoras do Cell tem grandes intenções no Linux. A IBM achou no Linux uma maneira barata e inteligente de tornar seu hardware vendável. A Toshiba almeja o mercado de dispositivos eletrônicos domésticos, que precisam de sistemas embarcados, e o Linux é a opção mais viável, por ter código aberto e livre. A Sony já irá incluir o Linux em seu console e planeja também usá-lo como sistema embarcado em boa parte de sua gama de eletrônicos de consumo. Com tudo isso é fácil notar que o Cell foi desenvolvido tendo o Linux na mira. O consórcio têm publicado as especificações do novo hardware para as comunidades e desenvolvedores de software livre e é de se esperar que quando esse hardware atinja o mercado, no PS3 no primeiro semestre de 2006 e como computador pessoal em algum momento de 2007, o Linux seja o primeiro sistema a estar disponível para a plataforma. Os Early Adopters domésticos estarão então entrando em um mundo desenvolvido em Linux e usando Linux naturalmente. A entrada de jogos no mercado para esses computadores parece não só um movimento natural, mas algo que o consórcio STI sabe que deve ser feito para que a plataforma alcançe o sucesso esperado. A inércia do mercado deve cuidar do resto.

-Para as softwarehouses, entrar no mercado deve ser um movimento inteligente. Portar jogos para a dupla Cell/Linux irá colocar, com uma só tacada, seus produtos na próxima geração de computadores pessoais, na plataforma de consoles lider do mercado, e na plataforma operacional cujo crescimento deverá ser o maior do mercado em 2007. São 3 benefícios claros sobre os concorrentes com um único produto, o que deverá ser o grande marketing do mercado para a nova plataforma.

-O Windows e seus jogos devem demorar a chegar para a plataforma Cell. Não há notícia de que o consórcio STI (Sony Toshiba IBM) tenha liberado especificações ou proptótipos do Cell para a Microsoft. Ainda que a Microsoft ponha suas mãos nas especificações que estão tornando-se públicas agora e nos primeiros kits de desenvolvedores a serem lançados pela Toshiba no segundo semestre de 2006 e que o WindowsXP/Vista seja relativamente portável por conta de sua arquitetura com HAL (Hardware Abstraction Layer), alguns anos serão necessários até que a Microsoft esteja apta a lançar seu sistema e SDKs para o Cell. A comunidade livre e a Sony estão muito à frente nesse aspecto. Sendo a IBM hoje uma das grandes contribuintes do kernel Linux, é de se esperar que a STI já esteja com versões de Linux prontas para rodar em Cell. E esse código pode ser colocado à disposição da comunidade, provavelmente já bem funcional, assim que o Cell DK seja disponibilizado pela Toshiba, algo que deve acontecer ainda em 2006. Por conta de tudo isso jogos de PS3 rodando sobre Linux estarão disponíveis muito antes que a Microsoft consiga colocar no mercado uma versão do Windows para a plataforma.

-Computadores usando Cell disputarão mercado com os PCs tradicionais. Aí a razão da venda da divisão de PCs da IBM para a Lenovo, que ninguém havia entendido. A IBM não quer que dois produtos seus rivalizem o mercado, então vendeu seu comércio de PCs Intel antes de lançar o Cell. Se a nova plataforma cumprir suas promessas de desempenho e integração, não só o PS3 será um console com um poder nunca antes visto (batendo qualquer computador de mesa hoje) mas os computadores com tecnologia Cell também serão muito mais fortes que seus rivais x86. Se os preços forem acessíveis o bastante (e parece que serão) pode-se esperar que em pouco tempo boa parte do mercado doméstico de computadores de alto desempenho seja de máquinas Cell. Só que o mercado doméstico de alto desempenho (AMD 64 FX e Intel P4 EX) é quase que exclusivamente voltado para usuários game-maníacos. Então só faria sentido entrar nesse mercado com um sistema que pudesse rodar jogos de renome. Tendo isso como premissa, e vendo o quando o STI está investindo em Linux e em mercados de consumo, a direção natural aponta para uma plataforma de hardware muito competente, com preços acessíveis, usando Linux como sistema operacional e com vocação natural para jogos. Se tudo isso se concretizar em alguns anos teremos o Linux no centro da melhor plataforma para desenvolvimento e uso de jogos do mercado futuro.

-A tecnologia da Microsoft para os computadores e para os consoles está em fim de ciclo de vida. Estranho isto não? O Wintel chegou aos 64-bits agora, mas o Windows e a maioria esmagadora dos títulos do mercado ainda são 32-bit. Os últimos aprimoramentos da plataforma x86, como o Dual Core ainda não mostraram serviço, pela ausencia de software escrito para aproveitar o poder destes sistemas. Os jogos e o sistema operacional Windows precisarão de código muito específico e pouco portável para poder usar bem as características dos processadores mais novos, como as intruções 64bits e dos núcleos duplos, sendo portanto difíceis de serem levados para outras plataformas. Para complicar o quadro, o XBox 360 que está na boca do forno usa um processador IBM PowerPC de núcelo triplo (!!!!). Ou seja, a Microsoft precisou investir muito para escrever um Windows PPC para rodar no XBox360 e os jogos, se quiserem usar todo o potencial da plataforma deverão ser otimizados ao extremo para este hardware. Ficará difícil e caro levar jogos do XBox360 para o Wintel e vice versa. Do outro lado, com a dupla Cell e Linux (Cellinux?! Linuxell?! hehe) levar os jogos de PS3 para os computadores Cell será fácil, pois eles usarão o mesmo hardware e o mesmo sistema base.

Com essa pancada de argumentos, pode ser que em alguns anos (2 ou 3) o Linux torne-se uma boa plataforma de desenvolvimento de jogos e aplicações que precisam de muito poder de fogo, como CAD CAE e CAM. Os PCs Wintel podem acabar sendo reduzidos a soluções de menor custo e menor poder de fogo. Será uma questão de posicionamento de mercado e de preço, mas as perspectivas são boas.

Fatores que podem inibir o aparecimento de jogos em UNIX-like
-Por outro lado a Microsoft já deixou claro que irá sabotar o OpenGL na plataforma Windows. Isso fará com que o desempenho de softwares que usem a biblioteca livre seja pior que aqueles que usem a plataforma proprietária da Microsoft, o DirectX. Isso pode fazer com que as empresas de jogos optem por desenvolver seus títulos em DirectX somente, pelo fato de assim poder alcançar 95% do mercado doméstico de usuários com desempenhos satisfatórios em relação aos softwares concorrentes. Isso inibiria o mercado de jogos para Linux, pois desevolver para ambos os sistemas gráficos implica em um aumento de custos que pode não ser justificado pelo pequeno número de usuários de outras plataformas.

-A Microsoft, ao lançar primeiro no mercado seu XBox360 (previsto para Dezembro de 2005) pode conseguir um número elevado de contratos de exclusividade com desenvolvedores de jogos, impedindo que estes lancem títulos para o PS3 posteriormente. Isso é prática comum e muitas empresas de médio porte acabam assinando esses contratos para poderem financiar os custos de seus desenvolvimentos.

-O PS2 é uma plataforma difícil para se desenvolver, por sua complexidade devido aos melhores recursos técnicos. Na verdade como um XBox é apenas um PentiumIII, desenvolver jogos para este console é como desenvolver jogos para um PC normal rodando Windows. Para desenvolver para PS2, que é uma plataforma totalmente proprietária, é necessário muito investimento. A Sony reconheceu que isso afastou muitos desenvolvedores e diminui o número de lançamentos exclusivos para seu console nos últimos anos. Esses desenvolvedores podem não querer voltar agora, abrindo a possibilidade para que o XBox360, mesmo sendo um hardware teoricamente inferior ao Cell do PS3, tenha mais títulos de peso e exclusivos. No mercado de consoles é sabido que o número e fama de títulos é imperativo para o sucesso da plataforma. Abre-se então a possibilidade para que o PS3 não seja o lider de mercado que espera-se. Isso faria com que toda a estratégia do grupo STI tivesse que ser repensada e portanto transformaria tudo em uma grande incógnita.

-A Microsoft pode conseguir contornar bem os problemas de ter que lançar jogos para duas plataformas completamente distintias (XBox 360 e Wintel) e atrair os desenvolvedores com um sistema menos complexo do ponto de vista técnico, o que demandaria menos investimentos das empresas de jogos para criar títulos para suas plataformas. Como no Linux ainda haveriam duas versões de hardware (Cell e x86) podemos acabar vendo um cenário com poucas mudanças em relação ao panorama atual. Os jogos permaneceriam nas plataformas da Microsoft, e alguns bons títulos seriam levados ao PS3, mas no Linux com x86 nada mudaria. Isso seria a grande frustração de boa parte do mercado, mas é o cenário mais possível dadas as condições atuais. Devido ao grande poder de fogo do PS3 seu jogos talvez tenham grandes dificuldades de serem rodados em PCs x86, com Linux ou Windows. Isso traria pouco interesse para portar jogos para o Linux a não ser que o Cell chegasse rápido como solução para PCs e a custos baixos o bastante para permitir uma rápida penetração dessas máquinas no mercado doméstico.

Ou seja, como já aconteceu algumas vezes na história da informática, o futuro mais depende da habilidade comercial e do marketing das empresas do que de suas soluções técnicas propriamente ditas. Caso a Microsoft acerte-se bem com seus parceiros e o STI erre a mão podemos ver uma boa plataforma do ponto de vista técnico (Cell) ser suplantada em vendas e ter dificuldades de entrar no mercado doméstico.

Análise final
Se o consórcio STI conseguir promover suas soluções junto aos desenvolvedores de maneira adequada e acertar bem o posicionamento de seus produtos poderemos em breve ter uma grande revolução no mercado de jogos. O Linux associado à nova plataforma Cell irá mover o PS3 e seus jogos e isso pode ser a ponte para duas coisas almejadas pela STI:
(a) popularizar a plataforma Cell como uma solução de compuatção pessoal e embarcada;
(b) Ampliar a utilização de Software e Tecnologias Livres, notadamente Linux, nos ambientes de entretenimento e eletrônicos de comsumo.

Para a comunidade o resultado disso pode ser a agradável visão de um saudável mercado de jogos sendo disponibilizados para GNU/Linux, por conta da presença deste no centro das estratégias do consórcio STI. Vale notar que o GNU/Linux é uma espécie de jóia da coroa para o STI, pois as 3 empresas possuem em suas estratégias futuras de mercado duas necessidades em comum:
(a) a necessidade de uma plataforma de hardware poderosa e flexível, coberta pela plataforma Cell;
(b) a necessidade de um sistema operacional modular e flexível para operar esse hardware em diversos níveis, que é o Linux.

Assim a grande espectativa é que, assim como no PS3 da Sony, o Linux seja o sistema operacional de todas as aplicações do Cell inclusive a mais ambiciosa delas, que é tornar o Cell o hardware da próxima geração de computadores. Se os planos da STI concretizarem-se nos próximos anos veremos o Linux operar não só o console mais poderoso do mercado (PS3) ou uma nova geração de computadores, desde domésticos até servidores, mas toda e qualquer sorte de eletrônicos de consumo que necessitem de processamento, como TVs, aparelhos de DVD, geladeiras, telefones celulares, etc. Caso esta penetração ampla ocorra e seja mesmo movida pela dupla Cell/Linux nenhuma grande empresa irá querer ficar de fora. E as empresas que criam e produzem jogos também irão querer participação nesse cenário. Tornando o aparecimento de jogos para a plataforma Linux apenas uma questão de tempo.

Há ainda uma questão digna de nota! A IBM será a fornecedora de processadores para todos os membros da nova safra de consoles! O PPC rodará nos Nintendo Evolution e nos Microsoft XBox360 e o Cell rodará nos PS3. Parece-me então que a IBM (a única empresa a ter acesso a datas de lançamento e parâmetros técnicos de todas as plataformas) conseguiu uma posição privilegiada para analizar o mercado e planejar suas ações. Talvez por isso seu empenho em transformar o Cell em uma tecnologia de ampla utilização seja o esforço que mais poderá concretizar os resultados planejados. Se todos os planos da IBM concretizarem-se a contento ela não só estará fornecendo os processadores de todos so consoles do mercado mundial (ganhando dinheiro e saindo vencedora, não importa que desfecho venha ocorrer) mas também será uma das desenvolvedoras da próxima geração de computadores e de dispositivos para eletrônicos de consumo, mostrando ao mercado sua capacidade de criar tecnologia e implantá-la. Como é sabido que a IBM tem grandes planos para o Linux podemos esperar que a batalha entre o sistema do pingüim e o Windows torne-se ainda mais forte e acirrada nos próximos anos.

É esperar pra ver.

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Comments:
Cara... não mudo sequer uma vírgula do que você escreveu, simplesmente fantástico. Estou mais tranqüilo por ver que não sou o único a ter fé no consórcio STI e em acreditar que ter bons jogos é primordial para o avanço do Linux nos desktops domésticos.
 
Muito legal isso , sempre tive isto na minha cabeça...
O Linux vai ficar totalmente popular quando forem lançados Jogos para ele.

Isso já esta acontecendo , é muito bom.

Agora é esperar para ver oque é que vai aconter com o OpenGL...

FALOW ! !
 
Ótimo texto!

Mas simplesmente ninguém vai apostar em games pro Linux porque não existe base instalada em desktop que justifique tal investimento.

As empresas que comercializam os games não têem interesse em promover uma plataforma aberta como o Linux.

Lógico que vão potencializar as vendas pra suas próprias caixinhas, como a Sony, que apesar de trabalhar com o Linux, ela quer mesmo é que você compre o hardware dela.

Abraços.
 
Obrigado a todos por suas contribuições e pelo acesso ao blog.

Realmente a pequena base de usuários é um obstáculo para que grandes empresas lancem grandes títulos de software (inclusive jogos) no GNU/Linux. Mas só em 2005 a base de usuários de GNU/Linux cresceu 40%, segundo dados da IBM, o que pode significar que a longo prazo essa base de usuários não será tão pequena assim. Se considerarmos coisas como o Notebook de US$100,00 do MIT que irá levar Linux à muitas crianças do ensino fundamental no mundo todo podemos esperar que esses novos usuários, aprendendo a usar Linux desde cedo, fiquem com o Linux como opção para seus sistemas pessoais no futuro, aumentando ainda mais a base de usuários no longo prazo. E para o software livre uma grande base de usuários significa mais testadores e mais mão de obra para os projetos, retornando uma qualidade maior final do software produzido. Isso é uma expectativa muito boa.

Claro que a Sony tem interesse em vender seus PS3, mas não esqueça que ela também ganhará dólares por cada computador que use Cell que seja vendido, então talvez a Sony tenha algum interesse em promover a venda dessas outras caixinhas também. E se os jogos de PS3 puderem ser rodados também em PCs com Cell e Linux não só a Sony estará ganhando mais dinheiro com a venda desses computadores como estará barateando o custo por cópia de cada jogo produzido para PS3, o que pode ser um grande atrativo para os desenvolvedores de jogos para essa plataforma. Há uma nova lógica no mercado criado pelo STI que pode ser muito favorável ao Linux e ao software livre com um todo. É o mercado quem definirá tudo isso, ou seja, nós mesmos. Os usuários do console PS3 não estarão muito interessados sobre o sistema que ele use, desde que funcione bem e tenha jogos legais, mas o STI tem uma plataforma para colocar no mercado e custos de desenvolvimento para recuperar. Para o STI pode ser importante conseguir uma boa penetração em um tempo relativamente curto de seu novo hardware e os jogos podem ajudar nisso, com certeza.

Vale lembrar que no começo do Windows, muitas empresas tinham receio de portar suas aplicações DOS para a nova interface, com receio de que o Windows não conseguisse emplacar e muito dinheiro fosse jogado fora. Esse receio do mercado é normal toda vez que um novo produto de tecnologia chega às lojas. Mas a Microsoft investiu bastante tempo e dinheiro criando ela mesma versões de seus softwares para que as outras empresas pudessem criar confiança. A lição disso todos aprenderam: tirando algumas grandes empresas com alguns produtos bem específicos, o mercado todo de programas utilitários para Windows acabou ficando nas mãos da própria Microsoft. O STI sabe que precisará investir muito para que o resto do mercado possa vir para a nova plataforma e talvez os jogos que a Sony publica para o PS (como o Gran Turismo) sejam os primeiros a serem disponibilizados para computadores Cell que rodem Linux. E o resto do mercado sabe que não pode deixar todo o investimento nas mãos do STI, pois se isso ocorrer pode não haver lugares vazios para sentar depois, como aconteceu com o Windows. De um modo ou de outro será a habilidade comercial e o marketing do STI que irá definir se computadores Cell com Linux serão bem vistos pelo mercado e se bons jogos chegarão às plataformas abertas em alguns anos.
 
Se não foi o melhor, foi um dos melhores textos/Analises sobre SL (mais especificamente Linux) que já vi.
Obs: nunca gostei muito de games.
Parabéns!
 
Rapaz, concordo com você. Eu particularmente sou um apreciador de jogos, e onde houver jogos para Linux, eu estarei lá!
Os jogos para Linux não virão, já estão vindo. Como exemplo posso citar:

- Quake
- Americas Army
- Wolfenstein Enemy Territory
- Doom 3
- Unreal Tournament 2004
- Neverwinter Nights

Para que os jogos estourem mesmo, só falta a Eletronic Arts aderir, pois a ID software ja se mostrou interessada pelo mercado Linux a muito tempo.

Quem viver verá.

http://www.tuxresources.org
http://ledstyle.tuxresources.org
 
Bom, continuando meu raciocício...

Sim, o STI vai querer vender o Cell pra todo tipo de equipamento, com o Linux atrelado.

Uma das maiores preocupações é em relação a produção desses chips. Aposto que toda a produção vai ser feita pra utilização na fabricação do PS3, e mesmo assim, vão ter enormes problemas pra suprir o mercado.

Mais pra frente, vão investir em servidores de alta performance, como o próprio STI já falou várias vezes.

Desktop: todo mundo sabe que o mercado desktop no mundo todo está caindo, e as vendas de notebooks disparando. Todos querem. Aposto que se o STI for investir em soluções PC, não vai investir em desktop, somente em notebooks, e todo mundo sabe que a coisa mais chata do mundo é jogar algo em notebook. E não se esqueçam que o PS3 vai ser, como a própria Sony diz, uma caixa multimídia, altamente expansível e configurável.

Eu continuo certo que mercado de games pra Linux não vai ter impacto nenhum com o lançamento do Cell.
 
É um ponto de vista válido, mas algumas considerações são necessárias.

Fábricas das 3 integrantes do consórcio STI irão produzir processadores Cell, a IBM inclusive está preparando uma das plantas mais modernas do mundo para produção deles. Provavelmente apenas os chips fabricados pela Sony serão usados nos PS3, o que me leva a crer que o consórcio estará preparado para fornecê-los para outros clientes e outras aplicações. Não acredito que o STI gastaria 4 anos e bilhões de dólares para projetar e construir um processador de larga aplicabilidade para conseguir colocá-lo em apenas um único dispositivo, por problemas com escala produtiva. Aliás, apostaria que esses processadores já estão em produção e que algumas unidades RC do PS3 já estejam prontas e funcionando bem o bastante para serem produtos comercializáveis.

Os servidores de alta performance são UM dos muitos focos do projeto. A Toshiba não fabrica servidores de alta performance, portanto nada me leva a crer que ela vá começar a fabricá-los. Então podemos esperar que a Toshiba vá querer dar seus próprios usos para o Cell, independente do que Sony ou IBM façam. Achar que o consórcio todo vai fazer uma coisa de cada vez é inocência. Isso faria todo o lance do consórcio perder sentido. Cada uma delas vai usar a tecnologia em sua linha de produtos e em seu mercado de atuação, tudo começando ao mesmo tempo e em paralelo, pois isso diminui o tempo de retorno de investimento na tecnologia. Depois do PS3 virão outras máquinas da Sony com o Cell, a IBM irá lançar produtos e tecnologias envolvendo a plataforma e a Toshiba irá incluí-los em seu mercado de eletrônicos de massa. Elas farã isso juntas, sem prioridades e já a partir de 2007. Ao menos é isso que vejo. Juntar 3 empresas tão distintas, de ramos diferentes ou mesmo competidoras, para desenvolver algo multi-uso e ao lancar isso no mercado fazer uma coisa de cada vez me parece algo meio sem sentido.

Com relação às vendas de máquinas desktop estarem caindo, isto não é verdade:
http://www.mct.gov.br/Temas/info/Imprensa/Noticias_4/hardware_4.htm
http://www.sucesues.org.br/documentos/index.asp?cod_noticia=435
O crescimento das vendas de desktops projetado para 2005 é de 10 a 12% e ainda que o mercado de notebooks deva crescer ainda mais (cerca de 40% no mundo todo) em números absolutos (ou seja em número de máquinas vendidas) o crescimento do mercado de desktops ainda é bem maior que o de notebooks. Ao contrário do que você acha, vale muito a pena para o STI investir em desktops.

Mas ainda assim, considerando que seu raciocínio estivesse correto e que o STI fosse mesmo investir apenas em notebooks há um ponto importante. Porque a "coisa mais chata do mundo é jogar algo em notebook"? Porque os notebooks de hoje são desktops mais leves e mais caros, nada mais que isso. Em um notebook de primeira linha (leia-se chipset e processador Intel) é normal que o processador tenha apenas um canal de comunicação com a memória e HDs de 5400RPM. Isso seria, para um desktop, um chipset dos mais vagabundos, coisas normais de se ver em chipsets de baixo custo da SiS. NVidia e VIA não possuem mais chipsets sem multiplos canais de memória e os HDs de 7200RPM são padrão em qualquer PC, mesmo os de baixo custo. Um notebook com Cell seria muito mais rápido que qualquer desktop de hoje, então jogar um jogo em um notebook Cell já seria uma experiência mais agradável (em teoria) que jogar em PCs x86. Além do mais, se você vai investir para levar a plataforma Cell para notebooks e para servidores, há pouco mais a se gastar para que ela chegue ao desktop também. E o desktop ainda é o maior mercado (em número de máquinas e em faturamento) de PCs mundial. Optar por ficar de fora do maior mercado é estranho. O PS3 será uma caixa multimídia expansível, e bastante configurável, mas não deve substituir um PC ou um notebook, principalmnete porque enquanto estes dois são padrões que podem receber periféricos de diversos fabricantes a custos competitivos, o PS3 enquanto computador ou substituto de um PC sofre do mesmo problema dos Macs, está sujeito à uma única empresa. Espere com certeza que uma placa de captura de vídeo para o PS3 seja muito mais cara que uma equivalente para PCs, portanto seu alto custo o manterá como um bom video-game mas um PC restrito.

Acho que "nenhum impacto" com tanta certeza assim é um termo muito forte. A IBM é ressentida com a Microsoft por muitas razões. Tudo bem, no mundo dos negócios não há muito espaço para ressentimentos, o importante é fazer dinheiro, mas a IBM perdeu muito dinheiro quando a Microsoft jogou o OS/2 pela janela e lançou o Windows. Talvez, para alguns dentro da IBM, o Cell seja uma espécie de vingança. Isso poderia levar a IBM a manter planos que impactem o mercado de Windows pela "simples" mudança no padrão de hardware.

Há muito tempo a IBM declarou que o padrão PC estava exaurido, quando lançou o PS/2. A venda de seu negócio de PCs para a Lenovo, anos depois, foi a prova de que a IBM realmente pensa assim. A IBM parou de fazer PCs x86, pois tem grandes intenções com o Cell. Se ao mudar o padrão de mercado a IBM quiser fechar as portas para a Microsoft, ou para a Intel, poderá fazê-lo. Isso causaria um impacto no mercado de jogos como um todo, independente do Linux ser ou não o sistema operacional indicado para o Cell. Só o lançamento do Cell pode não fazer muita diferença para o mercado de jogos, mas como a STI irá licenciar o uso desse padrão pode provocar a maior reviravolta na indústria da informática desde o lançamento do próprio PC.

Com o PC a IBM criou o padrão de mercado mais popular de hoje, mas abriu mão de todo o resto. Abriu mão do sistema operacional para a Microsoft, abriu mão dos processadores para Intel e dos periféricos para o resto do mundo. Meu PC é uma máquina padrão IBM, mas que não tem um único componente da IBM sequer. O Cell, enquanto possível substituto do x86 pode ser uma tentativa da IBM de corrigir isso. A IBM pode querer ficar com alguma parte do bolo para ela, talvez com o processador. Se o Cell for realmente tão bom quanto parece ser Intel e AMD terão grandes problemas, devendo tentar licenciar o padrão Cell para poderem produzir chips compatíveis ou desenvolver novas soluções tecnicamente equivalentes. Nesse campo tudo ainda é incógnita, pois depende de quanto sucesso o Cell vai conseguir e de como a IBM vai querer fazer as coisas. Mas partindo da premissa de que a IBM queira mesmo estabelecer um novo padrão de mercado (que eu particularmente acho verdade) ela deve enxergar a Intel e a Microsoft como concorrentes, pois estas abocanharam seu mercado antes. E isso inclui uma passagem quase que obrigatória pelo setor de computadores desktops. E computadores desktops envolvem os jogos, que são muito importantes para usuários domésticos. Por tudo isso acredito sim que o Cell deverá causar algum impacto, mesmo que pequeno nos primeiros anos, nos mercados de PCs, notebooks, sistemas operacionais, programas e jogos. E esses impactos nos mercados podem trazer alguma vantagem para o GNU/Linux, o BSD e outros sistemas que hoje podem ser alternativas para o Windows em um x86 comum.
 
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